O verso de Fernando Pessoa é bem empregado para falar, ainda que parcialmente, das dores que afetam o homem, ou se preferir a masculinidade nos dias atuais, atingido que está, embora no ocaso dessa doença terrível, conhecida por ideologia woke, que tanto prosperou no mundo Ocidental.
Nenhuma objeção às conquistas femininas, ao contrário, excluindo aquelas transloucadas ideias presentes no feminismo, principalmente nesta última fase, podemos transcrever, com orgulho e clareza, o parágrafo tão encorajador de Simone de Beauvoir, que diz assim, ao se referir às mulheres: “Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”. Considerada em seu aspecto mais amplo, este parágrafo merece um lugar na literatura sobre a mulher contemporânea.
Anthony Giddens, sociólogo inglês muito festejado, escreveu um livro denominado “A Transformação da Intimidade” e, em sua obra magistral esqueceu-se de tratar dos sofrimentos a que o homem foi relegado em muitos aspectos fundamentais de sua vida social.
Estou certo de quem o fez, com simplicidade e espírito dialogal, foi o ator Juliano Cazarré que, com suas próprias palavras, descreveu a “crise silenciosa dos homens...crianças crescendo sem pai, homens deprimidos sem saber porque, homens viciados.... homens e mulheres viciados em pornografia e masturbação, em álcool, trabalho compulsivo, o cara não quer voltar pra casa, o cara só quer trabalhar, trabalhar, ganhar dinheiro, não tem vida pessoal, não tem vida interior.
A gente vê um monte de homens sem rumo, sem um propósito maior na vida, que não enxerga nenhuma transcendência na vida, homem sem espiritualidade nenhuma. E a consequência disso tudo, o que é que é? famílias destruídas, filhos que não têm referência nenhuma.
Mulheres sobrecarregadas, uma sociedade completamente adoecida.
Porque se a família está doente, a sociedade está doente”.
Cazarré investe com lucidez contra a decadência da música Funk, reconhece um retorno ao fundamental através da adesão cada vez maior a valores tradicionais e conservadores e não teme em lançar sua crítica ao relativismo vigente, no qual não existe mais verdades e que tudo se resume a uma questão de opinião. O belo está nos olhos de quem vê. Não existe mais o certo, nem o errado.
A relação entre um homem e uma mulher, independente da ideologia de gêneros que se espalhou e confundiu a mente humana, deixou de ser uma relação de complementariedade e se transformou em uma relação de competividade, sem que os gêneros legítimos, binários e exclusivos da raça humana nada pudessem fazer, violados em sua intimidade por esdrúxulas filosofias e costumes, comandadas a partir do Estado.
O desaparecimento da paternidade responsável gerou um vazio absurdo, deixando ao léu crianças desamparadas, sem referências e destinos incertos. Foi o mesmo com a maternidade, considerada um estorvo, que, a tudo custo, deveria ser evitada ou reprimida ou, no mínimo, fruto de “casamentos” confrontantes com os modelos tradicionais.
Daí para a crescente feminilização do ser masculino foi um pulo. Homens fantasiados de mulher, efeminados e sem virilidade é o produto final da família sem valores, como reação de uma sociedade que condena a masculinidade, considerando-a tóxica, violenta e cruel.
Para esta sociedade, que se chama de nova, sua crise consiste exatamente no fato delirante de falta de masculinidade, dotada de suas características dominantes: o afeto, a defesa dos mais fracos (sobretudo da mulher), a paternidade desejada e responsável, o prazer de prover, a lealdade, a liderança familiar e por que não o amor?
Desde que o amor foi “inventado”, no século XIX, e reconhecido, superando as eras dos casamentos arranjados, sob as suas diversas formas historicamente conhecidas, que o amor, que une homens e mulheres foi tão ameaçado!



