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A Ilusão da Imparcialidade e a Ética no Jornalismo

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A Ilusão da Imparcialidade e a  Ética no Jornalismo

A busca por uma imprensa totalmente imparcial é a perseguição de um mito. Como o ser humano é inevitavelmente constituído por sua bagagem cultural, histórica e afetiva, o olhar do jornalista jamais será neutro. O fato é que todo ato de interpretação parte de "pré-compreensões" ou preconceitos inevitáveis. Cada um de nós partimos, deparamo-nos com alguma situação sempre com a estrutura de conceito sobre aquela questão. Isso é bagagem de conhecimento, vivência, visão de mundo. Tentar apagar o sujeito que narra o fato é uma premissa ingênua. O ser humano sempre carregará um eixo de conceitos que orienta sua percepção da realidade.

Se a imparcialidade absoluta é inalcançável, qual deve ser o norte do jornalismo? A resposta reside, entendo, na ética. A ética profissional, que ao meu sentir deve estar em toda e qualquer atividade humana, não apenas na profissional. Ela, então, a ética atua como o vetor que transforma a inerente subjetividade humana em compromisso rigoroso com a verdade. Como defendia Immanuel Kant, agir eticamente significa pautar a conduta por um dever moral que respeite a dignidade humana e a busca pelo correto, independentemente das inclinações pessoais. No jornalismo, isso se traduz no dever de averiguar dados, ouvir múltiplos lados e jamais manipular a informação para favorecer interesses ocultos ou visões particulares.

Ademais, ter um eixo conceitual próprio não significa permanecer estático. O amadurecimento intelectual e profissional exige que esse repertório seja constantemente visitado e revisitado. Abrir-se ao contraditório permite agregar novos valores e recalibrar leituras de mundo. A honestidade intelectual não exige que o jornalista descarte suas convicções, mas sim que tenha a humildade deontológica - o ramo da ética e da filosofia focado no estudo dos deveres e das obrigações morais - de confrontá-las com os fatos recolhidos no campo.

Por fim, sustento em convicções pessoais, logo parciais, que a imprensa ética, portanto, não é aquela que nega sua humanidade sob o pretexto de uma falsa neutralidade, mas a que assume o compromisso inegociável de buscar a verdade com rigor e transparência. A credibilidade do jornalismo não nasce de uma pretensa isenção, mas do respeito aos limites da ética profissional e da coragem de rever os próprios conceitos diante dos fatos.

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