A estupenda superioridade militar dos Estados Unidos reduziu a resistência venezuelana a pó, em todos os sentidos. O ataque norte-americano, a captura e prisão de Nicolás Maduro, sem que uma reação fosse esboçada não deixa dúvida de que o confronto se deu entre Golias e David.
O inesperado e surpreendente acordo de bastidores entre Marco Rúbio, o tão decantado Secretário de Estado norte-americano e a Vice Presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, selado no âmbito da “diplomacia secreta”, configurou, em primeiro lugar, a continuidade do regime chavista, comprometido a suavizar os seus conhecidos métodos e assimilar a tutela de Washington.
Sem dúvida, um arranjo inusitado. Repleto de obscuridades e sinais futuros imprevisíveis. Revela, apenas, a continuidade do regime, restaura o sistema e seus mandatários, sem excluir um sequer, celebrada na conciliação entre Padrino Lopez, Ministro da Defesa, Deosdato Cabello, ideólogo e Ministro do Interior e todos os seus fiéis seguidores. Não se ouve um ruído que destoasse desse notório acordo, consubstanciado na declaração da nova Presidente do país. Delcy Rodriguez assegurou que conduzirá uma distensão diplomática, fundada no diálogo e cooperação com os Estados Unidos. No seu recente pronunciamento disse que a prioridade do Governo é avançar para uma convivência pacífica, não apenas com Washington, mas também com os países da região.
Convém ressaltar que a Presidente recém empossada pelo Tribunal Superior da Venezuela, tinha clareza que passava por um momento carente de apoio internacional robusto, suas Forças Armadas demonstraram fragilidade nos embates que acabara de enfrentar, de quase nada valiam as milícias convocadas para defender a Venezuela nas condições da guerra moderna e, por fim, o próprio sistema dava sinais de que precisava de atualizações no plano econômico e social, ainda que do ponto de vista político detenha o controle da máquina burocrática construída pelo chavismo, ao longo de tantos anos de poder absoluto e brutal repressão.
Não se trata de acreditar nela e na condução tática de Trump. Não é uma questão de fé. É uma questão de engenharia política. A Presidente da Venezuela e a cúpula chavista precisam de tempo, sobretudo para restabelecer suas relações e compromissos com a China e a Rússia, nas barbas de Trump, no momento com as mãos amarradas, prisioneiro das próprias contradições internas da democracia norte-americana.
Os Estados Unidos também precisam que o transcorrer do tempo e da história lhe dê novos elementos em que possa assentar suas estratégias futuras.
Assemelha-se esta circunstância tática aos acordos, ainda secretos, que os Estados Unidos celebraram com o apedeuta que nos governa, guardadas necessariamente as diferenças políticas que os envolvem. O tempo exporá as semelhanças existentes!
É impossível, todavia, desconhecer as probabilidades de uma delação premiada, que a perspectiva de uma prisão perpétua desperta em Maduro e sua mulher. Esses são elementos fortuitos derivados da natureza do Fórum de São Paulo, cuja criação por Fidel Castro e Lula da Silva previa a construção de um poderoso sistema de financiamento, capaz de substituir o fracassado modelo militar da revolução social.
Não são poucos os fatores morais que poderão ser revelados nos processos que tramitam na justiça americana. Eles são mais convincentes, documentais e poderosos para desnudarem o modelo revolucionário que infestou as sociedades sul-americanas e atentaram contra as liberdades e a Democracia.
É de tal monta as incertezas e obscuridades que este processo, mal iniciado ainda, esconde, a ponto de que não podemos apontar o seu rumo definitivo, embora seja possível afirmar que sobre três pilastras, por bem ou por mal, ele será sustentado: a defesa do hemisfério de que participamos, a reconquista da Democracia em todo o continente e dos valores existenciais e morais da cultura ocidental.



