O petróleo é uma commodity que sempre estará entre as razões de um conflito militar e a disputa entre países belicosos. Isso é velho de guerra!
A prolongada crise entre Estados Unidos da América e Venezuela, entre outras tantas coisas, envolve o ouro negro, mas isso não é o mais importante comparado com os fatores ligados às novas tecnologias militares, sem o que as potências mundiais perdem terreno neste campo vital à sua sobrevivência.
Donald Trump não tomaria as decisões que tomou, se não fosse o sinal vermelho de alerta aceso no Pentágono, seu departamento de guerra.
A China, principal adversário geopolítico dos Estados Unidos, processa 91% das terras raras existentes no mundo. A dependência norte-americana de minérios estratégicos é crescente e a China é seu principal fornecedor. O neodímio, o tântalo, o cobalto são minérios beneficiados nas refinarias chinesas. Esses minérios, por exemplo, são indispensáveis para tecnologias de guerra inovadoras e vitais, seja de ímãs especiais para dispositivos de orientação de mísseis, para capacitação de radares modernos e eficazes ou ligas de alta performance para motores dos caças norte-americanos.
Os chineses controlam esses minérios, todos encontradiços em terras venezuelanas e ausentes em território norte-americano. Sem falar dos bilhões de dólares investidos na metalurgia. O fato real é que a China implantou o controle de toda mineração desses elementos estratégicos e o refino correspondente. Não o fez apenas enquanto um negócio puramente mineral, mas o fez em associação com os principais detentores do poder político.
O Irã não fica atrás. Cuidou de instalar na Venezuela uma possante fábrica de drones, dotando-os de um alcance superior a dois mil quilômetros, o suficiente para atingir o Estado da Flórida. Além disso o Irã instalou em Caracas uma fábrica de mísseis antinavios e lanchas de ataque rápido.
Os russos remeteram para a Venezuela cerca de 120 conselheiros militares, os quais tem treinado os venezuelanos em táticas modernas de guerra, a serem empregadas quando necessário. A Rússia abastece, junto aos chineses, as Forças Armadas Bolivarianas das mais modernas armas de defesa e ataque, aéreas e terrestres.
Não é possível falar do imenso aparato miliciano, armado e violento, os chamados Coletivos, sem considerar que eles são a essência de um regime repressor, de tal forma incrustados na sociedade que as razias policiais cotidianas são responsáveis pelos números alarmantes de prisões, torturas, mortes e toda sorte de perseguições.
Nessas circunstâncias, expressas em linhas muito superficiais, porém notórias para caracterizar um Estado policial e estruturado, qual a possiblidade do arranjo político costurado com os irmãos Rodriguez, cumprir os objetivos colimados e caminhar para uma transição?
Como tudo na “diplomacia secreta”, nada é revelado com clareza. Através das afirmações dispendidas por Trump e Marco Rubio, depreende-se que o Govêrno norte-americano tutelará decisões estratégicas, e Delcy Rodriguez tomará decisões afetando o narcotráfico, os privilégios desfrutados pelos chineses, iranianos e russos, o arrefecimento da repressão política, preparando o terreno para uma transição definitiva do regime.
Para muitos analistas e incautos palpiteiros a descrença é contaminante. A carcaça do regime é tão dura e até insondável, suas raízes são tão profundas e cultivadas há 26 anos, fazendo do bolivarianismo um sistema abrangente e enraizado. Dificilmente a Venezuela renascerá para a Democracia, sem os abalos de uma luta fraticida.
Uma transição implica em desconstruir o Estado policial, desmilitarizar o país, restabelecer o estado democrático de direito, devolver os direitos e a liberdade dos presos políticos, convocar eleições gerais em data determinada. Dessa forma, vencidas essas etapas preliminares, envolver a todos na discursão de um novo pacto social. Eis aí o espírito inelutável de uma transição!



