José Medrado

Alguém já disse que “toda história tem duas verdades/versões”, escolha uma pra acreditar. O termo “pós-verdade” é conhecido desde aos anos 90, mas se tornou da moda, principalmente, a partir do momento em que se ficou conhecida como a palavra do ano, em 2016, pela equipe do Oxford Dictionaries. Resumidamente, a pós-verdade é definida como uma estratégia de desvalorização dos fatos em si, em prol de interesses pessoais e da narrativa construída. Em verdade, nada mais além das hoje tão badaladas e usadas fake news (notícias falsas).

O presidente americano, Donald Trump, se tornou um grande usuário desse entendimento de pós-verdade, quando os seus assessores foram questionados sobre o número exato de pessoas que estavam na sua posse, pois disseram que havia mais que na de Barack Obama, porém, fotos diziam o contrário. Então, saíram com esta pérola, que ficou conhecida como o fator emblemático para as mentiras: “Não estamos mentindo, mas sim apenas apresentando fatos alternativos”. Isso foi em 2017, a partir daí, se criou uma moda mundial, sempre ajustada ao povo, sua compreensão e história o termo (post-truth) a nossa pós-verdade, usada para argumentação, declaração particular de descompromissada com quaisquer fatos ou mesmo realidade, uma “verdade” alternativa, onde caberá ao ouvinte escolher ficar com a do fato ou a que lhe foi ofertada.

Atribui-se ao filósofo Friedrich Hegel a declaração de que a História é um mito consentido, e se vemos as narrativas sem fim oferecidas por todos os lados da política, sejam de direita, esquerda, centro ou a que criarem por interesse e conveniência do poder de plantão, iremos perceber que cada povo, cada corrente ideológica, cada grupo de interesse, contará a história de acordo com sua versão e será esta versão que prosperará e será aceita por algumas, ou muitas pessoas. Será o acredito, logo estou certo.

Sempre os filósofos abordaram a mentira, já desde Platão sabemos que ela e mais que um incidente ocasional na vida política, mas é ela mesma um dos recursos disponíveis aos governantes na arte de passar o que o povo quer, em geral. Na descrição de Platão da sua utopia, mesmo com a obrigação de cada cidadão buscar e defender a verdade. Ele (Platão) argumentava que seus dirigentes, somente eles, teriam a permissão de mentir, pois a mentira, se usada adequadamente, pode contribuir para a realização do bem-estar comum. Lamentavelmente, nesse diapasão muitos se colocam como só eles sabem o que é melhor ser dito ou passado para o grande povo. O certo, no entanto, é que onde não há fatos, nada é verdade, e tudo será disputa de narrativa mais convincente, mas se há fatos e comprovações o real preponderará. 


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