São tantos e tão variados os fatos de nossa decrepitude política e moral que, mal nos alarmamos com um, e outros tantos já despontam. Desse modo, renunciei aos particularismos que atende por nomes os mais variados e prefiro convidá-los a compreender comigo o que eles significam e, na medida do possível, o que o futuro nos espera.
Quem estava certo foi o grande Franz Kafta que não hesitou em nos confessar essa verdade chocante: “Senti vergonha de mim mesmo quando entendi que a vida era uma festa de disfarces...e eu compareci com meu rosto real”.
Só assim, podemos compreender as revelações dos diálogos travados entre personagens dos altos escalões institucionais e parentais da nossa república, sobre os mais escabrosos temas, capazes de estarrecer a mais seleta estirpe de criminosos.
O mais inacreditável é que todos as celebridades presentes na festa sequer usuram suas máscaras. Comparecem com as suas faces verdadeiras, seguros que os disfarces eram apenas ilustrações de suas próprias e desafiadoras personalidades.
Um deles foi descrito como “guloso”, ou seja, insaciável, voraz em sua fome pantagruélica pelo vil metal, provavelmente uma herança de sua origem paterna. Outro, de quem gostaria de me estender um pouco é o atual presidente do Senado da República, uma medida exata daquilo com que John Stuart Mill media o valor de um Estado, como sendo o valor dos homens que o compõem.
Esse homem destruiu a instituição nascida da soberania do povo, o Congresso Nacional. Para ele cabe inteiramente o que o que é atribuído a Nietzsche quando advertiu que “todos usam uma máscara de bondade, enquanto o diabo usa pele humana”. A encarnação de Lúcifer no Senado da República comprovou um axioma do século XIV, que vem sendo ensinada à humanidade por Dante Alhigieri, que indagou: “as leis existem, mas quem as aplica?”
A doença infestou toda a sociedade civil. Nada está imune a esta verdadeira avalanche de imoralidades, falsidades e mentiras.
Uma pergunta se faz inevitável. Como reage a Nação à declaração de amor, explicita e espontânea, com que a mais alta autoridade do Poder Legislativo, declara sua lealdade e amor ao criminoso, sob custódia do Estado em razão da maior falcatrua financeira em nossa história bancária.
Aqui se reproduz o que Raimundo Faoro descreveu desde a fundação do Estado brasileiro, marcado pelo controle social e proteção do Estado patrimonialista, gerido como se fosse propriedade privada das elites governamentais instaladas na máquina governamental, tão bem compreendidas por Max Weber. Essa burocracia estatal nutrida pelos interesses de uma burguesia sem projeto nacional, manteve o país subordinado ao patrimonialismo, que se agravou com ascensão ao poder da camarilha petista, chefiada por um apedeuta degenerado.
Chegamos ao auge dessas distorções através de ideias liberais e democráticas, muitas vezes erguidas em sucessivos golpes de estado, até que consolidasse essa aliança espúria entre o globalismo, a corrupção e o petismo lulista.



