Deseducação ou mau costume?

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Deseducação ou mau costume?

Nunca fui daquele tipo de brasileiro que achava ou acha o made in qualquer coisa melhor que no Brasil, disse qualquer coisa, haja vista que ufanismo também pode obnubilar. Em matéria humana, de comportamento, sempre me dava uma invejinha coisas do dia a dia de alguns países que já visite: o espera a sua hora, o não ter aquele “é rapidinho” para atravessa uma fila por uma informação...estas coias. Dessa forma, não se tratava ou trata de diminuir meu país, mas de constatar em que poderíamos melhorar. Viajar nunca diminuiu o amor que sinto pelo Brasil. Ao contrário. Cada vez que conheço outro país, volto com ainda mais certeza de que temos riquezas que poucos lugares possuem. Mas viajar também serve para enxergar aquilo que, vivendo na rotina, acabamos normalizando, e são erradas. Estou na Austrália e uma das coisas que mais me chamam a atenção não é a arquitetura, nem a tecnologia. É a educação das pessoas, especialmente no trânsito. Aqui, o respeito às regras parece nascer antes mesmo da fiscalização. As pessoas esperam a sua vez. Dão passagem. Não transformam cada cruzamento em uma disputa. Existe uma compreensão silenciosa de que a rua é um espaço coletivo.

Ontem minha amiga australiana que organiza minhas palestras e pintura mediúnicas por aqui, tendo a maior boa vontade e carinho o mundo com custos e tudo mais que me facilita a estada, bateu o carro que nos conduzia na traseira de um outro, em uma rodovia de grande movimento. Ficamos bem – cinto de segurança de falo salva vidas, mas o que me chamou à atenção: Ela bateu no fundo de outro carro, com dois jovens dirigindo. Eles já saíram – tranquilos – e nos perguntando se todos estavam bem. Acreditem: assim mesmo, com naturalidade, tranquilos...e tudo foi tratado com tranquilidade. A ponto de quem visse, poderia pensar que foram amigos que se encontraram na beira da estrada. Como seria, de forma geral, no Brasil? Claro, que por aqui devem ter os ignorantes, que sairiam xingando, esbravejando, mas relato o que se passou comigo. Também é óbvio que no Brasil há os que teriam a mesma atitude, arrisco a dizer que as mulheres, es especial ao volante são assim. Chamou-me, no entanto, a atenção e se tratar de dois jovens. Enfim...

Em termos de trânsito, você irar concordar comigo nisto: No Brasil, infelizmente, muitas vezes valorizamos o famoso "jeitinho". Se há uma fila única, alguém tenta passar pelo acostamento. Se o trânsito está parado, sempre existe quem queira embicar o carro na última hora para entrar na frente dos demais. O problema não é apenas furar uma fila. É a mensagem que isso transmite: a de que o meu tempo vale mais do que o tempo de todos os outros. Não acredito que sejamos um povo pior. Acredito que fomos nos acostumando a pequenas transgressões, como se elas fossem sinais de esperteza. Não são. Elas corroem a confiança entre as pessoas e tornam a convivência mais difícil.

Educação não é apenas aquilo que aprendemos na escola. É o respeito que demonstramos quando ninguém está olhando. É compreender que viver em sociedade exige limites, paciência e consideração pelo outro. Continuo amando profundamente o meu país. Justamente por isso, acredito que reconhecer nossas fragilidades nos faz maiores. É um ato de esperança. Afinal, só melhora quem tem coragem de admitir que ainda pode ser melhor

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