A derrota pode complicar tudo

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A derrota pode complicar tudo

Os estudiosos do comportamento humano são quase unânimes em apontar quando   um grupo se une em torno de um ideal coletivo — seja uma torcida buscando o título, uma equipe de trabalho perseguindo uma meta anual ou uma comunidade lutando por uma conquista — a psicologia explica que o cérebro passa a operar sob uma dinâmica chamada mente de grupo. Nesse estado, as expectativas individuais são multiplicadas pelo sentimento de pertencimento. Surge, então, com a frustração uma necessidade de reciclar esse desencanto, essa decepção, aí é que podem surgir grandes problemas nas próximas horas com aquelas pessoas que não conseguem ressignificar sua frustração. Surge a chamada agressão deslocada, isto é uma das certezas mais consolidadas nos artigos sobre frustração coletiva. Quando as pessoas não podem descarregar sua indignação diretamente na causa do problema (pois não podem mudar o resultado de um jogo que já acabou ou reverter uma decisão institucional), elas inconscientemente praticam o "deslocamento". A tensão acumulada e os altos níveis de cortisol (hormônio do estresse) acabam sendo descarregados em alvos mais seguros e próximos: parceiros, filhos, amigos ou colegas de trabalho. É por isso que discussões bobas e tensões domésticas aumentam drasticamente após grandes frustrações coletivas. Esses estudos mostram que a intensidade da frustração não depende apenas da perda em si, mas de quão perto o grupo estava idealizando, sonhando em alcançar o objetivo. Passa a ser uma espécie de meta de vida a conquistar, e quando isto acontece, um projeto fracassa ou um time perde um título, o cérebro sofre um choque muito maior porque a expectativa de recompensa e o pico de dopamina já estavam quase consolidados. A interrupção abrupta gera um sentimento de injustiça ou "vazio" imediato.

Surge, geralmente, uma espécie de vulnerabilidade pessoal advinda do coletivo, quando essa frustração evolui para o que a psicologia chama de desamparo aprendido. As pessoas começam a acreditar que não têm controle sobre suas vidas. Nos relacionamentos, isso se traduz em isolamento social, perda de interesse em interações afetivas e um humor deprimido que pode durar dias, afetando a qualidade da convivência e o suporte emocional mútuo. Nesse instante, e já estamos vendo isso nas redes sociais a busca de culpados, pois há uma necessidade de proteger o próprio ego do peso do fracasso, o grupo costuma entrar em um processo de dissonância cognitiva, tentando encontrar bodes expiatórios. Em ambientes de trabalho ou círculos sociais, isso destrói a confiança coletiva, gerando um ambiente de desconfiança e apontamento de dedos que sabota futuros projetos em comum.

A grande conclusão dos especialistas para diminuir esses impactos é o acolhimento e a separação clara de papéis. Entender que o fracasso de uma meta coletiva externa não diminui o valor das relações reais ao seu redor, o que ajuda o organismo a voltar ao equilíbrio, transformando a frustração em um aprendizado de resiliência e apoio mútuo.

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