Um curta metragem de quinze minutos restaurou na memória dos baianos esta história-lenda de Maria Preá. Teria essa donzela caído de amores nos braços de um padre, daqueles retratados no Crime de Padre Amaro, de Eça de Queiroz? Diz a lenda que para a infelicidade sacerdotal, o padre foi flagrado pelo sacristão em concurso carnal com a beata criatura. Até que a mesma morresse o padreco não teve sossego!
Essa lenda se parece, guardadas as circunstâncias, com o ímpeto amoroso, em que se viram envolvidos Lula da Silva e Donald Trump. Naturalmente, que não ocorreu concurso carnal entre os dois, mas tudo levava a crer, levando em conta os que os dois declararam durante o idílio, que a coisa era a sério.
Sem que fosse necessário um desfecho trágico, envolvendo beijos e tapas, muito menos a morte de Romeu ou Julieta, a briga tá feia e promete um futuro ainda mais desolador, semelhante ao que ocorreu nos casais de gênios incompatíveis.
Lula da Silva, o presidente do Brasil, não poupou palavras ofensivas para provocar o seu desafeto. Dizem que proferiu mais de sessenta e dois xingamentos quase impublicáveis, sendo o último deles, aplicando ao Trump, o epíteto de pirata dos mares.
Trump, por sua vez, desferiu um petardo violento, aplicando uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros de exportação para o mercado norte-americano. Os EUA são o destino de cerca de 10% de tudo que o Brasil exporta e esta tarifa atingirá 21% dessa totalidade, o que representava algo em torno de 2%. Mais de dois mil ítem ficaram de fora, a fim de atender aos interesses da economia norte-americana.
Não creio, honestamente, que tais tarifas foram adotadas pelo governo norte-americano em razão dos xingamentos de Lula. Tal comportamento deve ter influenciado o conceito que fazem dele a opinião pública mundial, que cada vez mais o enxerga como um doido de pedra, desbocado e obcessivo. Nada mais!
Tão pouco o presidente americano, mais afeito a defender os interesses de seu próprio país, percebeu que a tática de seduzir um alucinado deu com os burros n’água e que era melhor acabar de vez com o falso amor!
Custa-me ver que o certo nesta história é o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que afirmou, sem deixar espaço para interpretações dúbias. Disse ele: “não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seus e seu Governo negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essa tarifas são o preço por isso”.
Lula, em momento algum, quis negociar, como fizeram todos os países que lidaram com o mesmo tipo de problema. Ele diz que aplicará a lei de reciprocidade, pois sabe que apenas a China valeu-se desse princípio negocial. Nenhum mais. Os que tentaram, logo retiraram esta pretensão ao perceberem que ela não resistiria ao menor impacto concorrencial com a mais potente economia do mundo.
Sei, como todo mundo sabe, que este assunto demanda muitos elementos a serem compreendido e julgados, mas é forçoso reconhecer que os Estados Unidos da América, ainda que, injustamente, tenham reclamado contra a instituição do PIX entre nós, cobre-se de razão quando nos incita a defendermo-nos da corrupção generalizada, da destruição ecológica da Amazônia, da perseguição política levada a cabo pelo Judiciário brasileiro e pela fragilidade atual das nossas instituições democráticas.



