O bom jogador não engana a geral

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O bom jogador não engana a geral

Há, inegavelmente, uma descrença no nosso selecionado. Apenas a mídia, de um modo geral, tenta incutir nas pessoas a ilusão do hexa, tão desejado quanto improvável. É uma espécie de conto do vigário o que a mídia propaga. O fato real é que o time em campo nada tem do seu passado de glórias.

Por que será tanta descrença? O obvio parece ser o envolvimento de nossos jogadores, ainda muito jovens, com o futebol europeu onde se pratica um jogo muito diferente da cultura futebolística do Brasil. Outros, acreditam que tal fenômeno decorre do choque antropológico da pobreza social de que eram vítimas com uma cultura e um modo de vida de luxo e riqueza.  Nosso romancista e inventor de uma linguagem literária, talvez tenha desvendado o mistério quando afirma: “eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.

Seja o que for, os verdadeiros campeões, tipo os Ronaldos – fenômeno e gaúcho -, Vampeta, Cafu, Rivaldo, Denilson e outros curtem na TV as conquistas de cinco Copas.  

Até os chineses metem o malho no nosso selecionado e sustentam que foram eles e não os ingleses que inventaram o futebol. Segundo eles, já praticavam o ludopédio por volta de 2000 anos antes de nossa era. Agora, eles estão descobrindo que não existem mais brasileiros na seleção nacional. Para os chineses o jeito brasileiro de jogar futebol não é o mesmo que encantou o mundo anos atrás. Os dribles fenomenais de Garrincha, a elegância de Falcão, a genialidade de Pelé e o samba nos pés desapareceram. 

Ninguém mais acredita em nosso futebol, considerando os dois últimos jogos da Copa atual. Os interesses comerciais, sobretudo da TV, de vez em quando, não conseguem esconder a verdade e choram o leite derramado.

Também pudera! O futebol não é mais aquele dos tempos antigos. Chegou o tempo em que não há mais geral nos estádios de futebol. Tempo de absoluta depuração, como diria Drummond. Esse vazio arqueológico inspirou Nelson Rodrigues a dizer que o “futebol não é uma questão de vida ou morte. É mais importante que isso.” A geral do papel queimado, musical e pulsante, ficou no passado.

Agora só nos resta o tempo perdido e as lembranças. Ninguém melhor que o suíço-italiano Gianne Infantino, presidente da FIFA, para sintetizar essa realidade: “Essa Copa é para rico. Pobre assiste do sofá e ainda agradece por ter internet”, disse ele, sem dó ou piedade!

Vozinha é um ser único porque não engana a geral que não mais existe. Ele é dos tempos que incendeia o estádio com seu heroísmo e sua história. É o que resta de humano no futebol, assim como as lágrimas do técnico de Curaçau e as palavras do maior jogador do mundo, Messi: “não posso pedir nada mais de tudo que recebi. Obrigado a Deus, Ele me deu demais!” 

É preciso reconhecer – os que gostam e os que não gostam dos comentários de Galvão Bueno. Ele confirma o que disse Nelson Rodrigues com sua inata sabedoria: “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”, o que equivale a dizer que a nossa seleção, nas palavras de Galvão Bueno, “é um amontoada de jogadores, perdidos dentro de campo, que não sabem o que fazer com a bola”.

Era melhor, como disse Raphinha, gozar suas férias, do que jogar por obrigação!

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