O CORREDOR DO TEMPO

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O CORREDOR DO TEMPO

Ao ler o discurso do ganhador do prêmio, Globo de Ouro, o jovem ator brasileiro, Wagner Moura, confesso que fiquei confuso. Não sabia de que época ele falava, ao comentar o filme premiado, O Agente Secreto, em seu famoso pronunciamento, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, onde mora. 

Não costumo ter esses apagões mentais, porém tinha acabado de ver, na internet, o depoimento do jornalista Marcos Vanucci, prisioneiro nos acontecimentos do dia 08 de janeiro. Nele o jornalista narra que os presos foram levados por um corredor de cinco metros de largura, por 60 de comprimento, numa noite de chuva torrencial, que alagou a passagem. Os policiais - homens e mulheres - que comandavam a operação, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, ordenou que todos ficassem nus e jogassem suas roupas ao chão. Humilhados e contrafeitos foram obrigados a caminhar como animais, de quatro e em silêncio. Sem conter as lágrimas que escorriam de suas  faces, homens idosos, pais de família, resignavam-se à inominável violência.

Os  torturadores, brutos e bestiais, os advertiam que não ficassem excitados com a presença das mulheres! Chegamos às celas, afirma Vanucci, andando sobre a água e lá fomos amontoados em trinta e duas pessoas, num mísero compartimento que mal cabia nove detentos. Os presos passaram nestas condições mais de setenta dias, com a mesma roupa, cujo mal cheiro não era mais suportado nem pelo próprio usuário!


Tudo isso já faz parte da vida do brasileiro, do seu dia a dia. Havia muito mais o que dizer e comparar com o fascismo que Wagner Moura revelou que o país viveu, validando as palavras de Hannah Arendt de que realmente “vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança.”


Logo percebi que o nosso intrépido artista vencedor - ainda que não tivesse a delicadeza de agradecer os sete milhões e meio que recebeu dos nossos impostos - tinha em sua mente o curto período de um Governo passado, por ele difamado, sob a alcunha de fascista, no qual vigorou a democracia constitucional e o estado de direito.


Lembrei-me do poeta e jornalista paulista, José Paulo Paes, que, em plena ditadura militar nos idos de 1968, em um pequeno, porém sugestivo poema, denominado Dúvida Revolucionária, assim falou: “ontem é hoje? ou hoje é que é ontem?” Convém que Wagner Moura responda a esta pergunta, lançada na época da ditadura em que ele era uma criança de doze anos e não conhece o que é uma ditadura real, como tem a oportunidade de conhecer nos dias atuais. Muito menos deve bradar contra os males de  ditaduras passadas, se tem uma bem perto do seu nariz...

Deixo-os a narrativa desses males para quem sofreu na pele as agruras deste tempo e ocupe-se de proclamar as vantagens de viver em liberdade, a liberdade perdida no Irã, na Venezuela, em Cuba e que estamos perdendo em nosso querido Brasil!


Nunca soube de um artista, em qualquer tempo, que tivesse se rebelado contra o seu mecenas. Embora seja  romana a criação do mecenato, foi no Renascimento italiano que mais prosperou. A família Médicis, por exemplo, patrocinou artistas como Michelangelo e Donatelo e esses gênios da pintura retribuíram com obras magistrais e elogios eternos a seus mecenas. 


É o que faz Wagner Moura, elogios intermináveis ao apedeuta Lula da Silva, o mecenas estatal de Wagner, e a sua obra, (a de Wagner), reclama contra um fascismo imaginário!

Comentários

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LUZIA PRAIA GUERRIERI
Para um ser igual a esse,sinceramente sem comentários. Para sua matéria sensacional!! Parabéns Marcelo Cordeiro!

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