OS ADORADORES DE SATÃ

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OS ADORADORES DE SATÃ

Finalmente Miguel de Cervantes, autor do Dom Quixote de la Mancha, conseguiu converter em verdade sua constatação revelada a seu fiel servidor, Sancho Pancho, de que a sua luta contra as ditaduras enfrentava três gigantes. Eram eles: a injustiça, o medo e a ignorância.

É o que vemos soçobrar no Irã, desde que a monarquia caiu pelo golpe dos aiatolás em 1976, há quase meio século, e implantado no lugar da monarquia, que já durava ininterrupta há dois mil e quinhentos anos, o regime teocrático e islâmico.

O último rei da antiga Pérsia, nome histórico do velho Irã, Reza Palhavi, muçulmano secular, conduziu o país para o processo de secularização e adoção de valores ocidentais, porém, ao perder o apoio de vastas camadas políticas da sociedade e da corrupção que corrói o regime, permitiu a ascensão dos aiatolás e a consequente transfiguração moral, política e cultural do sociedade teocrática.

Nunca um regime foi tão hostil às liberdades públicas, os gays, as mulheres e aos costumes liberais. Israel e os Estados Unidos foram partes de uma aliança duradoura, mas o novo regime ditatorial passou a ser o apoiador principal do terrorismo islâmico e xiita no Oriente Médio. Abrigou o Hezbollah e o Hamas e os apoiou na luta terrorista contra o Ocidente democrático.
Encontrou vigoroso apoio, econômico e tecnológico, em países interessados em solapar o mundo ocidental e seus valores liberais, elevando a China e a Rússia à condição de aliados principais.  O Irã representa na atualidade a mais perigosa e destemida potência bélica, em busca desesperada de obter armamentos nucleares.

A rebelião popular que se desencadeou no país islâmico, espalhou-se como um rastilho de pólvora e expressou mais que qualquer um dos movimentos anteriores. Nasceu para contestar os rumos da economia e da política de guerra e logo cresceu para reivindicar o fim do regime totalitário e sua substituição por uma democracia representativa e compromissada com os direitos humanos, sobretudo o soterramento dos preconceitos religiosos.

Não foi por outra razão que o regime em desespero apelou para a mais sanguinária e mortífera repressão aos manifestantes, contabilizando milhares de mortos e condenações sumárias à morte.

Para nos cobrir de vergonha e mal estar o presidente Lula da Silva, em consonância com a política externa de apoio e aliança com as ditaduras existentes no mundo, calou-se e não foi capaz de exprimir nosso desprezo e desaprovação veemente em face desses assassinatos covardes, revelados dia a dia, nos tornando cúmplices aparente desse espetáculo demoníaco.

Todavia, em nome das tradições democráticas do mundo ocidental, o presidente dos Estados Unidos da América, já anunciou o seu propósito de interromper, não só por ser justo e necessário a evidente recusa do povo iraniano de continuar submetido à uma ditadura sem limites morais e contenção de qualquer espécie.

O esquerdismo infantil e perverso que ainda campeã pelo mundo enxerga a atitude norte-americana como uma imersão indevida na soberania iraniana, do mesmo modo que exibiu sua desfaçatez nos episódios recentes na Venezuela. Confirma a irônica afirmação do psicólogo canadense-libanês Gad Saad sobre a extrema esquerda. Ele diz assim: “se Donald Trump enunciasse amanhã que erradicou o câncer, a esquerda simplesmente diria que ele é um ser humano terrível porque não permite que as células cancerígenas se desenvolvam plenamente e atinjam seu potencial máximo”.

Os adoradores de Satã, contudo, estão blasfemando suas últimas orações, pois o mundo está fazendo ouvidos de mercador!

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