Quem, de sã consciência, pode conceber a plenária do STF, ontem realizada, como uma reunião de juízes, com raras exceções, senão um valhacouto de degenerados? A imprensa, as redes sociais e a própria transmissão televisiva bastaram para escancarar à vista de todos os brasileiros o deprimente espetáculo. Seria, como chover no olhado, debater argumentos e estratégias dos atores envolvidos pretensamente jurídicas, já suficientemente esclarecidas.
Melhor será trazer à tona comportamentos morais, trejeitos, ironias, falsas erudições, ofensas proferidas, ardis e confrontos, intolerâncias, mentiras e métodos indecentes, todos destinados a procrastinar o deslinde do caso real em discussão e confundir os incautos espectadores.
Foi assim a reunião inteira. Nela, o Ministro Flávio Dino tomou para si o papel de submeter o Presidente da corte a falsos argumentos e mesquinhas intenções de demonstrar o despreparo e a firmeza presidencial na condução da assembleia, tornando-se pela longevidade de suas intervenções o verdadeiro dirigente da reunião, que a cada minuto se afastava do seu real objetivo.
Os sofismas e conhecidos trejeitos do Ministro Dino logo se evidenciaram em duvidosas citações de Aristóteles e alusões a passagens bíblicas, que não condizem com sua fé ateia e sua devoção à rebeliões sangrentas, culminando no pedido de vista de uma questão de ordem adredemente combinada com o Ministro Gilmar Mendes, cuja presença na desditosa reunião acrescentou, em diversas de suas intermináveis alocuções, barbaridades morais dignas de um malfeitor, não de um juiz da suprema corte.
Não rara vezes o corpulento Ministro Dino apelou para o deboche e piadas sem graça para, logo em seguida, disparar sua ira abrangente com a finalidade de criar tumulto e ofensas a seus pares.
O Ministro Gilmar se encarregou em longo e prosaico voto sobre a questão de ordem que levantou, imprópria e inoportuna, na medida que podia ser resolvida pelo Presidente Edson Fachin, de dar à reunião o elemento moral, que faria da mesma um sepulcro caiado da corte suprema do país.
A fim de proteger o indigitado ministro objeto do qual estava em julgamento, o ministro em questão, sem prova cabal do que estava afirmando, classificou que as relações do mesmo com o banqueiro criminoso eram inexistentes e não eram outra coisa senão uma invenção eleitoral do Relator. A joia verbal da coroa reluz na ensandecida convicção do Ministro Gilmar Mendes de que “não se pode submeter mesmo que o colega que esteja eventualmente envolvido, não pode ser submetido a este vexame, já disse isso em outro momento. ATÉ A MAFIA TEM ÉTICA. É preciso ter decência, não se comportar dessa forma”. Com esse pensamento, por si só degenerado, o Ministro denomina um possível envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes em evidente corrupção e outros tantos artigos do Código Penal, simplesmente um “vexame”, pelo qual está isento de passar! E ainda tem tempo de xingar Deus e seus fiéis seguidores!
A palavra do Ministro Cristiano Zanin, ex advogado pessoal do Presidente Lula da Silva, é a voz mais autorizada do próprio presidente, que, desse modo, corrobora o seu apoio ao Ministro Alexandre de Moraes, a quem se pretende investigar, deixando claro os tentáculos da grande cadeia de corrupção dos mandatários da nossa combalida República.
De tudo isso, que nesse curto espaço, pude ressaltar, só me resta uma certeza, proclamada por Fiodor Dostoievsky: “Tornou-se moda fazer da canalhice uma virtude”.
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