A reunião entre Lula da Silva e Donald Trump terminou acontecendo, na Casa Branca, em Washington, como já era esperado. O que não se esperava era que o Presidente brasileiro, atrasasse mais de uma hora, coisa que raramente acontece em encontros desta magnitude. Mas, convenhamos, isto não tem tanta importância assim.
Lula foi recebido na porta dos fundos pelo Presidente norte-americano. Um fato deveras inusitado, porém relevante, ou talvez circunstancial. Conversaram, segundo a imprensa, por cerca de três longas horas, numa reunião a portas fechadas e, segundo consta prevista para transcorrer em apenas trinta míseros minutos. Fica parecendo que os dois não tinham nada a fazer ou a conversa foi muito animada.
Depois almoçaram e fizeram a digestão. Tal como ocorre com visitas de outros presidentes, deveriam se apresentar perante os jornalistas norte-americanos para a tradicional entrevista a ser concedida pelos dois presidentes. Todavia, a pedido da delegação brasileira, este compromisso foi cancelado e avisado aos jornalistas, que pacientemente esperavam, muitos deles sentados em batentes das amplas salas da Casa Branca, até receberem a inesperada notícia. Não se sabe, até agora, qual o motivo real do cancelamento, mas tudo leva a crer que os jornalistas norte-americanos são demasiadamente curiosos!
A princípio pareceu que o Presidente brasileiro tinha pressa e por esta razão preferiu dar uma longa entrevista aos jornalistas brasileiros selecionados na sede da Embaixada brasileira em Washington. E para lá rumou juntamente com os ministros que o acompanhava nesta indigesta jornada.
Ficou claro que ali, no aconchego de sua seletiva plateia, Lula soltou o verbo e falou como se estivesse realmente no Brasil. Trump, por sua vez, rompeu o seu enigmático silêncio, e cuidou de notificar ao povo norte-americano a sua decantada reunião de trabalho, com o “muito dinâmico” presidente Luíz Inácio Lula da Silva. Diferentemente do seu dinâmico convidado, o Presidente norte-americano foi sumítico com suas palavras tuetadas e pouco informou aos que a leram. Na verdade, não disse nada. Disse, apenas, que os representantes de ambas partes “estão programados para discutir alguns elementos-chaves. Reuniões adicionais serão agendadas nos próximos meses, conforme necessárias”. Pronto, fim de papo.
Apenas, por gosto à clareza e à singularidade da reunião em pauta, quero dizer que ela foi a mais diferente de todas que tenho assistido entre dois presidentes. Não tenho registro de algo semelhante! Temo que o caráter inédito da chamada reunião de trabalho seja o anúncio de futuros e inesperados desdobramentos, ainda obscuros para o comum dos mortais.
Na embaixada do Brasil, Lula berrou as asneiras de sempre. Não há uma só palavra do que disse que já não tivesse dito em seus repetidos discursos para nossos ouvidos fatigados. Será que Trump adotará as estratégias propostas por Lula para combater o narcotráfico em nosso Continente, ouvirá os conselhos de Lula para concluir sua política sobre Cuba, encerrará a guerra no Oriente Médio segundo as orientações do Presidente brasileiro, resolverá o conflito ucraniano através dos métodos lulistas?
Considerando os acontecimentos surpreendentes que cercaram a reunião de trabalho aqui relatada e o desconhecimento que paira sobre ela, senão que tudo que foi dito e feito não merece confiança e que alguma coisa de muito misterioso só o futuro dirá.
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