O FERRADOR DAS GENTES

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O FERRADOR DAS GENTES

O presumível primo mais velho de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, chama-se Zé das Trevas, o Ferrador das Gentes, conhecido também com a alcunha de Lula da Silva, um dos poucos sobreviventes da emboscada da Grota do Angico, localizada no município sergipano de Poço Redondo, na madrugada de 28 de julho de 1938.

Diz a lenda que, passados muitos anos, só agora o sobrevivente deu sinal de vida, revelando seu parentesco com o Rei do Cangaço, não sem antes propiciar uma das histórias mais dolorosas de crueldade, através da qual submeteu ao cangaço um país inteiro, roubando-lhe e espalhando o terror em sua população amedrontada.

O Ferrador das Gentes, apelido que ganhou no cangaço, decorre de seus hábitos extravagantes, aurido de suas manias preconceituosas, narradas, com riqueza de  detalhes, por seus próprios parceiros. Contam que ele tinha a mania de castigar as mulheres com que se deparava, caso ela usassem sais curtas, coloridas e chamativas, consideradas impróprias e provocativas.

Muitas mulheres, gays (mais raros naqueles sertões inclementes) e até os sertanejos mais pobres foram alvos de sua impiedade, cantada em prosa e versos. Uma vez Lampião o designou para enfrentar o mais forte dos capitães da guerra, considerado imbatível e muito bem armado para defender a livre expressão dos povos do sertão.

Ele o desafiou com palavras e junto a seus comparsas como Chico Peste, Acelino e Demudado fez tremer de medo o capitão estrangeiro, despachando-os para convencer de suas boas intenções, levando-o a derreter-se de amor por suas inabaláveis virtudes e de seus acólitos prediletos, entre eles os juízes de seu preclaro tribunal.

O Ferrador das Gentes usava um ferro escaldante com a inicial L, esquentado em brasa, para marcar a pele do rosto ou do púbis, daquelas com que ele discordava dos hábitos morais. 

Zé das Trevas gostava de mentir. Dificilmente informava a hora certa a quem a ele perguntava e ai daquele que ousasse contestar a informação! Outra mania psicopática do primo mais velho de Lampião, era receber homenagens da comunidade a que ele submetia com suas armas e crueldade, sobretudo na folia do carnaval. Gostava de se enfatiotar todo, com ternos e gravatas de luxo para visitar autoridades estrangeiras, junto a sua inseparável companheira Canja do Cangaço, mulher de poucas luzes, mas dotada de insuperável atração por aviões a jato. 

O maior desgosto deste virtuoso cangaceiro, é que não consegue encarar o público. Toda vez que comparece à uma reunião popular é escorraçado. Assim, ele se reúne amiúde com meia dúzia de puxa sacos, fica nervoso, chama Jesus de Genésio, troca o nome da mulher por de uma falecida há quase uma década, fala mal de meio mundo, esperneia, grita, se contorce todo, espuma uma baba densa que lhe escorre pela boca e depois cai nos braços de sua cuidadora!

Esta ressureição do cangaço reproduz bem a natureza da vida política brasileira. A Grota do Angico não morreu. Está por completo na mediocridade do poder vigente, na sua rudeza, na ignorância absoluta, na pobreza de sua linguagem. Lula da Silva é a encarnação do Zé das Trevas, ou melhor, do Ferrador das Gentes.

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