O GRANDE EXPURGO

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O GRANDE EXPURGO

Demorou muito tempo, até que a opinião pública mundial percebesse a natureza singular do regime totalitário que se abateu sobre o Brasil. O modelo tradicional perdurou na América Latina, no qual os regimes de exceção tinham os militares como os principais artífices e executores. Esse modelo caiu em desuso.

Na Venezuela e depois no Brasil, o aparato expressa-se no pacto entre o poder executivo, o sistema de justiça arbitrária e o poder legislativo garroteado. Os militares, sob o disfarce do alheamento político, abandonaram o comando político. São meros coadjuvantes passivos.

A ditadura civil brasileira aproveitou-se da crise dos veículos tradicionais de comunicação, incapazes de sobreviverem perante o advento da internet e aparecimento dos milhões de editores on-line e estatizaram o jornalismo.

Sob o amparo indecente do “ordenamento jurídico” e a afronto à própria Constituição, os tribunais superiores sufocaram o Congresso, concederam ao executivo poderes de que a ordem jurídica não lhe assistia.  Em nome da “democracia” eliminaram o estado democrático de direito.

Os recentes acontecimentos, incluindo a reeleição do atual presidente e o exílio solicitado aos Estados Unidos do candidato considerado derrotado, promoveram sobejamente o deslinde da real natureza do regime totalitário implantado no país.

Os resultados eleitorais carecem de legitimidade em razão dos crimes eleitorais praticados pelo candidato proclamado como vencedor e o candidato oposicionista teve o seu passaporte confiscado sete minutos após o pleito, sem que ele fosse objeto de qualquer crime ou condenação judicial.

A abertura da temporada de terror anuncia o grande  expurgo que se aproxima. O espírito de Béria, conhecido carrasco soviético, instala-se com o seu lema predileto: “mostre-me o indivíduo e eu lhe mostrarei o crime”. Nenhum cidadão poderá confiar nas garantias individuais contidas na Constituição da República e o medo terrificante assombra os mais corajosos entre os brasileiros.

Flávio Bolsonaro saiu do Brasil para não ser vítima do que o regime faz com todos aqueles que ousam lhe questionar: a morte ou o degredo. Felizmente, isto já está claro para os maiores e mais respeitados órgãos de imprensa do mundo. “Durante um debate eleitoral, Lula afirmou que assim que Bolsonaro perdesse sua imunidade parlamentar, ele enfrentaria todo o tipo de investigação. Lula escolheu o alvo e prometeu encontrar o crime”, palavras do Wall Street Journal.

Como é do conhecimento geral, vivi os melhores anos da minha juventude, nas hostes da esquerda, adquiri preciosos conhecimentos nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro.  Sou forçado, por dever de consciência, revelar que jamais imaginei reconhecer na ”esquerda” a promotora da mais cruel ditadura que vicejou na era republicana.

Relembro esta verdade absoluta, porque entendo que devemos combater sem usar a moeda dos fanáticos,  mas fazer como Chesterton disse: “fanático é o homem que acha que o outro está errado em tudo, por estar errado em alguma coisa”.

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