PREVISÃO E PRUDÊNCIA

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PREVISÃO E PRUDÊNCIA

O pai da ciência política, Maquiavel, viveu durante a transição da Idade Média para a Moderna. A Itália, onde nasceu, era um mosaico de repúblicas, ducados e o Estado Pontifício sujeitos à ganância de potências estrangeiras o que, no entanto, não impediu que o florentino desenvolvesse um pensamento tão criativo, capaz de influenciar até hoje a ciência política. Maquiavel assimilou com clareza a natureza da política, separou-a dos preceitos morais e criou as bases para prever os acontecimentos futuros.

Recorro aos seus ensinamentos para interpretar as palavras de Lula da Silva, proclamado vencedor das eleições do último domingo em nosso país. Sem entrar no mérito do processo eleitoral, flagrantemente fraudado, ater-me-ei a declarações do presidente considerado eleito, após o encerramento do pleito.

Lula afirmou que “esta eleição me ensinou muitas coisas. Quero dizer que vamos mudar o jeito de governar este país”. Realmente, a correlação de forças políticas resultante das eleições foram profundamente alteradas. O modelo ditatorial dos últimos anos sofreu perdas significativas, evidenciando que o modelo terá de ser modificado. O controle juristocrático sobre o Congresso Nacional desapareceu e agora será possível apreciar o impeachement de ministros de STF, bem como novas alianças permitirão a recuperação dos poderes congressuais que haviam sido usurpados por Lula e o STF.

Podemos dizer, sem medo de errar, que o “novo jeito de governar”, implica num aprofundamento dos instrumentos ditatoriais, semelhantes aqueles presentes nas estruturas de poder totalitário vigentes na China, sob o comando do Partido Comunista. O recrudecimento da censura, a perseguição política aos adversários através de processos judiciais ilegais, as prisões arbitrarias, o capitalismo de Estado com envolvimento de uma burguesia sem projeto nacional, finalmente o destroçamento final do estado democrático de direito são as agruras de uma nova fase de terror.   

A segunda declaração de Lula inaugura o terror do novo jeito de governar. Com a empáfia de quem guarda um segredo bem guardado, Lula deixou escapar o já sabia de antemão: “você vai perder as eleições”, afirmou. Munido dessa certeza inapelável, o candidato presidente completou, antecipando o futuro com um tiro certeiro: “você se prepare que no dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar. Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar”. 

Lula esteve perto de revelar a sua estratégia do “novo jeito de governar”! Esse novo arranjo corresponde ao fim definitivo de qualquer forma legal de competição no campo eleitoral. Em 2014, Eduardo Campos morre durante a campanha; em 2018, Jair Bolsonaro é esfaqueado; em 2022, Jair Bolsonaro é condenado e preso; em 2026, Flávio Bolsonaro perde seu passaporte sete minutos após o resultado das eleições e ele deixa o Brasil para exilar-se nos EUA.

Edmond Burke, político inglês e teórico do conservadorismo, foi um crítico da Revolução Francesa, principalmente porque a revolução pretendia abolir todo o passado ou a própria História, mas foi ao analisar o primeiro período revolucionário em 1789, quando ainda se discutia nos Estados Gerais as aberrações do Absolutisno real, que ele disparou a grave previsão sobre o futuro da Revolução. Ele disse: “isso ainda vai terminar em sangue”. Com essas palavras ele previu que a guilhotina e a força iriam consumir 40.000 cabeças francesas, incluindo o Rei a Rainha e os próprios chefes revolucionários.

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