O inimigo invencível

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O inimigo invencível

Há algo de muito estranho na alma do povo. Quanto mais o país mergulha nas trevas, no descalabro mais absoluto, menos se vê a revolta da nação. Logo me vem à mente o poema de Miguel Torga, quando o grande poeta português denuncia: “somos, socialmente, uma coletividade pacífica de revoltados”. 

Esse estado patológico agrava-se a cada passo que a frase - nome do título desse comentário -, vai se tornando uma crença, uma verdade de fé, como dizem os cristãos. A ditadura da toga, finge agir em nome da democracia em risco, a fim de impor sua visão de mundo à uma sociedade cada vez mais ignorante, tão ignorante que o sonho totalitário ganha espaço e o pesadelo corrompe a mentalidade social.

A licença para cometer os mais hediondos crimes não comove, nem subverte a ordem. É como se a sociedade nacional convivesse harmonicamente com a degradante corrupção de ministros da mais alta corte de justiça do país. A evolução da personalidade das massas, estagnada por muito tempo, sofre um processo baseado na aceitação consciente e natural dos eventos.

Diante da enormidade dos atos solenemente cometidos pelo poder dominante, as vozes que contra eles se  levantam ainda são poucas e quase inaudíveis e contraditórias. A imprensa que denuncia e critica os crimes dos ministros supremos é a mesma que corroborou as prisões arbitrárias dos presos políticos e a condenação de dezenas de homens inocentes pelo crime que não cometeram.

Deslavadamente, o tribunal supremo dos nossos aiatolás em conluio com o Presidente do Senado Federal mandou às favas o brilhante trabalho da CPI, que desvendou e ainda desvendaria a máfia dos que assaltaram os aposentados brasileiros, incluindo parentes do Presidente da República. À luz do dia, o crime foi abençoado, sem que uma palha fosse levantada!

Não foi diferente com a CPÌ do crime organizado. Os deuses intocáveis do STF tiveram suas estátuas de marfim finalmente demolidas. Reagiram com pedras e selvageria institucional e investiram contra as prerrogativas do poder legislativo, no afã de demolir sua independência e legitimidade. Transformaram em alvo do ódio desmedido e insultuoso do ministro Gilmar Mendes, o digno Relator da Comissão de Inquérito!

Ao final do ano passado, as notícias insinuavam quanto cruel será o futuro econômico do país. Suas finanças arruinadas com os vultosos deficts das contas públicas. As estatais ostentam um rombo de mais de R$4,1 bilhões; o país registra a maior carga tributária de todos os tempos, alcançando 32% do PIB nacional; o endividamento das famílias chega ao estrambólico índice de 80,4%; as estatísticas, números e informações do IBGE caíram na mais completa descrença e desmoralização; infelizmente, o país na atualidade tem mais brasileiros vivendo de bolsa família e outras ajudas governamentais do que carteira assinada.

Finalmente, o que já era previsto se confirma. Assim, como no passado, o país ingressou no ano eleitoral, no qual as esperanças se renovam, combalido com as perspectivas à vista. Se acentua, com visível articulação com as cadeias do totalitarismo, mais uma investida contra as liberdade de expressão. A censura a tudo que é digital, não só conduz o país às trevas, como o privará da liberdade e do debate democrático.

Do mesmo modo que levou até o fim o abuso mais cabal da lei e da Constituição, o regime pretende utilizar novamente seus instrumentos de violação dos direitos e perseguição das correntes de Oposição para impedir, igualmente se deu na Venezuela, qualquer candidato competitivo à Presidência da República, movendo processo contra Flávio Bolsonaro, que poderá leva-lo à perda dos seus direitos políticos. 

De tudo que nos acomete, o mais danoso é a descrença e perda de confiança. Acorda Brasil!

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