Penso, logo existo

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Penso, logo existo

Não será por mero racionalismo cartesiano que os estudantes do Brasil, clamam por um ensino livre e democrático, em meio ao sufocamento a que estão submetidos, desde o chamado curso primário até os níveis universitários.

Aos nossos olhos alarmados deifica-se a politização como o novo deus, reduzindo o ensino e a ciência aos ditames de concepção de mundo absoluta. O que era do reino epistêmico passa ao domínio ideológico, num passe de mágica, por professores que transformam as salas de aula em auditórios cativos. A massificação do pensamento único entra pela porta principal e pelas laterais evade-se o juízo crítico e o pensamento criativo. O magister dixit contamina o ambiente!

O que se quer ensinar é a modelagem de uma cabeça totalitária, sem direito a formar seu próprio juízo, seja da verdade matemática, segundo a qual dois mais dois são quatro, mas simples um construto foucaultiano que, na verdade, dois mais dois podem ser cinco. O passo seguinte, consiste numa horda transloucada destruindo a estátua de Borba Gato!

De indivíduos, os estudantes agregam-se a um grupo qualquer, variando entre raças diferentes, viados ou lésbicas ou outra identidade, abandonando a identidade essencial de todos, a de humanos reconciliados e opostos ao seu colega do lado. O crime mais hediondo do século, segundo Hannah Arendt ali se configura por inteiro: o indivíduo que deixa de pensar!

Arma mortal do totalitarismo, os seus corifeus tratam de dispara-la contra todos os que eventualmente conseguem escapar de suas armadilhas ideológicas. A transformação dos indivíduos recalcitrantes em coisas desprezíveis, cancelados, estranhos e desumanizados.

O séquito de horror e crimes segue agora seu caminho desimpedido. Celebra-se aí a morte da meritocracia e do conhecimento verdadeiro, através da homogeinização do coletivo humano em que se tornou o grupo, prisioneiro de um fetiche ideológico que consome seus neurônios e suas personalidades.

Não se pense que este mundo caótico é fruto do acaso ou da maldade dos professores. Ele é produto da educação oferecida ao Estado totalitário e não a própria comunidade. Em geral, como salientou Max Stinger, “o Estado não te dá a educação que necessitas, te dá a qual ele necessita que tenhas”.

Alguns historiadores medievais chegam a mencionar a educação que era ministrada às crianças no medievo. Elas memorizam os Salmos em latim e liam Esopo e as Écolas de Virgilio. Essa é uma boa medida de nosso atraso! 

A vida moral e intelectual de uma sociedade desenvolve-se formando as elites, que lhes asseguram as bases filosóficas de sua futura transformação em direção aos seus ideais de liberdade e prosperidade. Nosso horizonte, todavia, é carregado de nuvens negras. Carl Jung nos esclarece, contudo, que “o principal objetivo da vida humana é dar à luz a si mesmo”.

Só nos resta, piedosamente, sonhar como Fernando Pessoa o fez em momentos mais otimistas de sua poesia renovadora:

“Quero, terei
Se não aqui,
Noutro lugar que inda
Não sei.
Tudo perdi
Tudo terei.

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