Foto: Divulgação/ @emerson_pereira_vieira
Passados os dias da folia carnavalesca e dos primeiros comentários que eles suscitaram, é chegada a hora de levar bem a sério o que não passava de uma brincadeira de mau gosto para aprofundar e entender as mensagens subliminares que eles continham.
A rebaixada e desclassificada Acadêmicos de Niterói levou até o sambódromo a homenagem mais obscena ao atual Presidente da República, o apedeuta Lula da Siva, desencadeando protestos e ações judiciais em face dos crimes eleitorais cometidos pelo homenageado, incluídos propaganda eleitoral antecipada e abuso do poder político e econômico.
Estou tentado a descrever o que é, na realidade, o carnaval dos nossos dias, mas deixo para depois, pois não é tarefa para um mísero comentário falar da podridão do nosso “apartheid” provinciano. Porém, não me furto a compreender a profundidade do rombo a que estamos induzindo a nossa desprevenida sociedade ao abismo.
Quando o regime totalitário da Alemanha nazista, expurgou alguns filósofos marxistas do país, entre eles Theodor Adorno, Erich Fromm, Herbert Marcuse entre outros, eles procuraram refúgio nos Estados Unidos da América, onde instalaram-se em bons empregos universitários. Levaram na bagagem intelectual os rudimentos do que mais tarde se chamaria a Escola de Frankfurt ou a Teoria Critica da Sociedade.
Esse novo conceito filosófico partia da percepção que os valores do velho marxismo, a exemplo do caráter revolucionário do proletariado eram inúteis, numa época em que a burguesia já havia incorporado a classe operária aos benefícios do capitalismo industrial.
A queda do Muro de Berlin e a ruína do socialismo real a partir de 1991 eram a sopa no mel. Doravante, a nova sociedade a ser erguida não dependia mais de uma promessa futura, mas da constatação que todas as instituições e estruturas sociais da sociedade capitalista eram más e precisavam ser destruídas.
Era a desconstrução da sociedade vigente e seus valores. Nesta Teoria Critica ou Dialética Negativa trata-se de desconstruir tudo que existia e levar de roldão o casamento e a famíla, a religião, as instituições políticas e tudo o mais que representasse a sociedade preexistente.
A Escola de Frankfurt logo se complementaria quando a Teoria Critica percebeu que era preciso absorver a ideologia woke, através da qual a sociedade se divide em pedaços e conflitos, substituindo a morte da luta de classes sociais.
Igualmente, as culturas tradicionais, entre elas o carnaval, hoje tão desfigurado, converte-se num instrumento de manipulação política, no qual a irreverência dá lugar ao relés puxa-saquismo mais vulgar e corrompido.
Antônio Gramsci não deixaria por menos, ao incorporar o que há de mais precioso e eficaz nesse novo arranjo, que relega a revolução, tal como era concebida, a um plano subalterno e considera essencial o controle das superestruturas da sociedade, convertendo-as em centro difusor de uma nova cultura, sobretudo através das universidades, imprensa, religião, literatura e outras, enfim todos os aparelhos ideológicos existentes.
O que produziu, ainda que mal produzido, a Escola Acadêmicos de Niterói, senão está tentativa, felizmente mal sucedida, de transmudar a praça num alto-falante de acordes dissonantes? Daí não poderia sair outra coisa diferente do que um tiro no pé do único palhaço presente no show, vestido de roupa branca e um chapéu panamá.



