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"A Hora em que não sabíamos nada da gente" encerra temporada de quinta a domingo no Teatro Martim Gonçalves!

Última semana do espetáculo baseado no texto do Nobel de Literatura Peter Handke fica em cartaz de 28 a 31/05

Por Michel Telles
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"A Hora em que não sabíamos nada da gente" encerra temporada de quinta a domingo no Teatro Martim Gonçalves!

Foto: Sora Maia

A última semana de apresentações de "A Hora em que não sabíamos nada da gente" marca o encerramento de uma temporada que mobilizou público, artistas e comunidade em torno de uma experiência cênica singular no Teatro Martim Gonçalves, baseada no encontro, no corpo e na construção coletiva de sentidos. Com direção de George Mascarenhas, a montagem reafirma o teatro como espaço de imaginação e presença, em uma encenação sem falas que se constrói a partir da corporeidade, da imagem e da relação direta com o espectador.

Construída como uma peça de situação, sem narrativa linear nem personagens fixos, a obra transforma a ideia de uma praça em eixo dramatúrgico e simbólico. É nesse espaço de travessias e acontecimentos que múltiplas micronarrativas emergem, revelando fragmentos de cotidiano, memória, humor, estranhamento e humanidade.

“A praça que está em cena é um espaço de movimento, onde muitas coisas acontecem, há encontros, situações e passagens. Ela se tornou também uma metáfora do processo inteiro. Como se todo o projeto fosse essa grande praça da vida, onde existem interações duradouras, outras mais furtivos, mas onde o acaso e os acordos convivem”, afirma o diretor George Mascarenhas.

Essa lógica de cruzamentos e conexões estruturou toda a trajetória do espetáculo. O projeto se desenvolveu a partir de oficinas abertas e ações formativas que reuniram artistas, estudantes e comunidade externa, consolidando uma dimensão pedagógica e extensionista alinhada à tradição da Universidade Federal da Bahia. A diversidade do elenco nasce desse processo e se traduz em cena como potência criativa.

“O espetáculo é resultado da entrega desses artistas. A cada dia a temporada cresce, se aprofunda, desenvolve suas trajetórias. São múltiplas passagens em cena, com pequenas ações que transformam a atmosfera e o propósito continuamente. Essa dinâmica com o elenco foi extremamente feliz”, completa Mascarenhas.

Ancorada e inspirada na mímica corporal dramática, a encenação propõe uma experiência sensorial que desloca o foco da palavra para o gesto, do discurso para a imagem e da linearidade para a simultaneidade. O espectador é convidado a construir sentidos a partir do que vê, percebe e imagina, em um jogo contínuo entre cena e plateia.

O teatro como ele dever ser

A atriz Terena França conta como está sendo sua experiência. "Foi um processo desafiador, com muitas imagens bonitas e uma forte construção coletiva. Uma investigação como atriz, de presença, de corpo, de como transitar entre estados. E agora, nesse último final de semana, a expectativa é jogar ainda mais, com o público e entre a gente, porque essa é a essência do teatro”, afirma. Ananda Mariposa, que também integra o elenco, revela que sua participação no projeto tem sido incrível. "A peça fala sobre várias coisas sem emitir uma única palavra, faz gente exercitar a teatralidade, brincar de imaginar, jogar, contar historias… essa peça traz o sentimento genuíno que me levou a entrar no teatro e atuar como deve ser”, completa. 

A resposta do público consolida essa proposta. A temporada foi marcada por sessões com forte adesão e por um movimento consistente de retorno de espectadores, que revisitam o espetáculo em busca de novas camadas de leitura.

“A gente tem relatos de pessoas que voltaram várias vezes para assistir. Isso mostra que a cena tem uma dimensão rica e simultânea, que convida o espectador a construir sentidos junto com a gente. É um espaço de abertura, de diálogo. A peça acontece com o público e para o público”, pontua o diretor. 

No palco, o elenco sustenta essa dinâmica como um jogo vivo. A repetição nunca se dá da mesma forma, e cada apresentação se reinventa a partir das relações estabelecidas em cena e das passagens de artistas e professores pela praça.

Ao chegar à sua última semana, A Hora em que não sabíamos nada da gente se afirma como uma experiência artística, pedagógica e sensorial que traduz o papel da universidade pública na produção de cultura, conhecimento e formação de plateia. A temporada se encerra no dia 31 de maio, no Teatro Martim Gonçalves, deixando como marca uma cena aberta, viva e compartilhada com o público.

SERVIÇO

Espetáculo: A hora em que não sabíamos nada da gente

Autor: Peter Handke

Direção: George Mascarenhas

Temporada: Até 31 de maio - De quinta a sábado às 20h e domingo às 19h

Onde: Escola de Teatro da UFBA - Teatro Martim Gonçalves (Canela / Salvador)

Entrada: Gratuita

Duração: Cerca de 1h15

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