Adolescentes ainda não vacinados contra HPV acendem alerta no Brasil
Pesquisa aponta que parte significativa dos jovens não está imunizada ou desconhece status vacinal

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina contra o HPV, principal forma de prevenção de diversos tipos de câncer. No entanto, a adesão entre adolescentes ainda está aquém do ideal, segundo dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE.
De acordo com o levantamento, pouco mais da metade dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmou ter certeza de que recebeu a vacina. Em contrapartida, uma parcela relevante declarou não ter sido imunizada ou não soube informar seu status vacinal, o que evidencia lacunas no acesso à informação e à cobertura.
O HPV, sigla para papilomavírus humano, está associado à quase totalidade dos casos de câncer de colo do útero, além de outros tipos de tumores. A vacina é indicada para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, faixa etária em que a proteção é mais eficaz, especialmente antes do início da vida sexual.
A pesquisa também revela que uma parte dos adolescentes já iniciou a vida sexual, o que reforça a importância da imunização precoce. Ainda assim, fatores como desconhecimento sobre a necessidade da vacina, dificuldade de acesso e até resistência de responsáveis contribuem para a baixa cobertura.
Para especialistas, a desinformação continua sendo um dos principais obstáculos. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, destaca que o problema vai além das fake news: "Todo mundo acha que a hesitação vacinal se resume às fake news, mas não é isso. A desinformação é só uma das coisas que causam a hesitação vacinal. As outras são a falta de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação. E isso é um problema máximo no Brasil. Muitas pessoas não sabem quando têm que se vacinar e quais as vacinas disponíveis".
Nesse cenário, a escola surge como um espaço estratégico para ampliar a cobertura vacinal, ao facilitar o acesso e promover a conscientização de estudantes e famílias.
Dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam melhora nos índices de vacinação em 2025, com cobertura superior à apontada pela pesquisa. Desde 2024, o esquema vacinal passou a ser feito em dose única, e uma estratégia de resgate tem buscado imunizar jovens que não receberam a vacina na idade recomendada.
A campanha segue em andamento, com ações previstas até 2026, incluindo a ampliação da vacinação em ambiente escolar e nas unidades de saúde em todo o país.


