Alckmin responde a Skaf, da Fiesp, e diz que redução da jornada de trabalho é tendência mundial
Presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que o tema não deveria ser discutido em ano eleitoral

Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil
FELIPE GUTIERREZ - O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta segunda-feira (23) que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial impulsionada pela automação.
Ele fez a declaração durante um evento na sede da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), após o presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmar que o tema não deveria ser discutido em ano eleitoral. As declarações foram dadas às vésperas do início da discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6x1 na Câmara dos Deputados.
"[Escala] 6x1 e redução de jornada em ano eleitoral não combina, a gente precisa que essa discussão vá para 2027", disse Skaf. Segundo ele, em um ano de votação "emoções, sentimentos e motivações se confundem com interesses do país".
Em sua resposta, Alckmin disse que há uma automação em todos os setores da economia, ainda que em cada área da produção haja particularidades, e que, por isso, há uma tendência a ter redução da jornada de trabalho. Segundo o vice-presidente, que também é ministro do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), isso já vem acontecendo, mas o debate "não deve fazer correria" e deve ser aprofundado.
Alckmin foi à Fiesp para assinar protocolos de colaboração com a entidade na atuação contra práticas concorrenciais desleais de outros países, como dumping (venda a preço abaixo do custo de fabricação para ganhar mercado). Um dos principais temas da conversa era comércio exterior, e por isso foram mencionadas as tarifas que os Estados Unidos impuseram ao Brasil.
Os industriais disseram estar preocupados porque, apesar de a Suprema Corte ter derrubado as tarifas que Donald Trump havia determinado, o governo dos EUA continua com uma investigação de práticas comerciais desleais (sob a norma chamada Seção 301) sobre o Brasil. Alckmin afirmou que já houve uma investigação que foi arquivada:
"O argumento (que levou à abertura da Seção 301) é o desmatamento. Caiu 50%", disse.
Ele disse que outro motivo pelo qual o Brasil foi investigado é a pirataria, mas, segundo o vice, isso é algo que ocorre no mundo inteiro. Alckmin afirmou também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se encontrar com Trump, e que a questão tarifária será uma das pautas.
Alckmin citou mais de uma vez que a taxa básica de juros, a Selic, deverá começar a cair na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Após citar a queda do dólar e uma safra boa como condições favoráveis ao relaxamento da política monetária, o ministro disse que alguns preços que variam por motivos exógenos à economia doméstica deveriam ser retirados do cálculo da inflação.
De acordo com ele, o Federal Reserve (banco central dos EUA) exclui de suas contas as variações de preços de itens como alimentos e petróleo, porque não seria a taxa de juros que determina as flutuações desses itens. Para o vice-presidente, o clima e a geopolítica são fatores importantes para a formação dos preços desses itens.
"Não adianta aumentar juros que não vai fazer chover", afirmou
Ao discorrer sobre as vantagens de exportar, Alckmin citou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e disse que o presidente Lula deverá regulamentar nas próximas semanas as salvaguardas (medidas protecionistas que são ativadas caso haja um pico de importação de algum item).


