Após negativa de Bolsonaro sobre vídeo de IA, Justiça Eleitoral avalia responsabilidade da campanha de Flávio sobre o material
Convenção do PL utilizou criação com IA para simular apoio do ex-presidente a candidatura do filho

Foto: Reprodução/Beto Barata/PL
Diante da negativa da defesa de Jair Bolsonaro sobre o ex-presidente ter autorizado a veiculação de vídeo produzido por inteligência artificial (IA) em convenção do Partido Liberal (PL), a responsabilidade pelo conteúdo passa a ser exclusivamente da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No sábado (25), durante convenção do PL, a sigla veiculou um vídeo com IA no qual Jair Bolsonaro oficializa a candidatura de Flávio Bolsonaro. No material, a tecnologia que simula o ex-presidente diz que, embora ele esteja "preso e calado", Flávio deve ser recebido como seu substituto.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, deu o prazo de 48 horas para que os advogados de Bolsonaro esclarecessem se ele autorizou o uso da própria imagem e voz na produção do conteúdo. Moraes, inclusive, reafirmou a proibição de que Bolsonaro acesse as redes sociais, mesmo que indiretamente, devido às medidas impostas na condição de prisão domiciliar.
Diante da manifestação do STF, a defesa de Jair Bolsonaro informou na quarta-feira que ele não autorizou o uso da imagem e voz para a produção do vídeo.
Com o pronunciamento da defesa de Jair Bolsonaro, cabe à Justiça Eleitoral avaliar se o conteúdo divulgado na campanha de Flávio configura "deep fake", prática de mesclar vídeos ou fotos com áudios para criar novos conteúdos proibida durante as eleições.
O relator da ação, apresentada pelo PT, é o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


