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Bets avisam clubes sobre fim imediato de patrocínios caso governo proíba apostas; times já buscam outras empresas

À espera da definição do governo federal, alguns clubes fizeram sondagens iniciais no mercado em busca de possíveis novos parceiros.

Por FolhaPress
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Bets avisam clubes sobre fim imediato de patrocínios caso governo proíba apostas; times já buscam outras empresas

Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

Casas de apostas esportivas que patrocinam times das Séries A e B do Campeonato Brasileiro notificaram os clubes sobre a possibilidade de romper os vínculos comerciais de forma imediata caso o governo federal aprove uma MP (Medida Provisória) para proibir a operação de todas as bets no país.

As principais empresas do setor ainda aguardam a divulgação da MP antes de definir os próximos passos. No cenário defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de veto total às bets, o rompimento dos contratos é visto como inevitável.

Caso o governo federal mantenha alguma flexibilidade, como a suspensão apenas de jogos online como o Tigrinho, ainda assim será preciso renegociar os contratos entre clubes e bets. Estimativas de pessoas envolvidas na operação das empresas apontam que os jogos online representam até 80% do faturamento, o que levaria à necessidade de reduzir os aportes nos clubes.

Até o momento, quatro empresas começaram a agir: Betano (Flamengo), Novibet (Santos), Superbet (São Paulo e Fluminense) e Esportes da Sorte (Corinthians). As casas de apostas também notificaram veículos de comunicação com os quais mantêm contrato, como Globo, Band e RedeTV.

À espera da definição do governo federal, alguns clubes fizeram sondagens iniciais no mercado em busca de possíveis novos parceiros. Dono do maior contrato de patrocínio entre um clube e uma bet, o Flamengo foi um dos primeiros a estudar alternativas. Atualmente, a equipe carioca recebe R$ 268,5 milhões por ano da Betano, em um contrato de três anos e quatro meses.

Em 2025, o patrocínio das bets aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro somou cerca de R$ 1,03 bilhão, crescimento de aproximadamente 66% em relação aos R$ 618 milhões aportados pelas empresas do setor no ano anterior, de acordo com levantamento da consultoria Convocados.

O montante injetado pelas bets representou apenas 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos times que compunham a elite do futebol brasileiro no ano passado.

Na última quinta-feira (17), quando começou a se especular sobre a possibilidade de uma medida deste tipo ser editada, os clubes divulgaram um manifesto em conjunto. No texto, afirmaram que "se o mercado regulamentado [de apostas esportivas] acabar, o futebol acaba."

"O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado", diz trecho do manifesto dos clubes.

Na quarta-feira (23), durante evento de campanha no Rio de Janeiro, Lula afirmou que estava decidido a respeito do tema. "Isso não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets", disse Lula. Antes do início do evento, era possível ler no telão a frase "Flávio é bet, Lula é o caminho".

Lula afirmou que não pode deixar a ludopatia - que é o vício em jogos de azar e apostas - tomar "conta do povo brasileiro". Segundo ele, será um "imenso prazer" acabar com as casas de apostas.

O presidente também afirmou que o governo já realizou três reuniões para tratar do tema em encontros que reuniram membros da Presidência, da Casa Civil, da Fazenda e do Ministério da Justiça. De acordo com o portal UOL, o texto final já estaria no gabinete de Lula, pronto para ser assinado até segunda-feira.

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