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Bets comprometem mais o orçamento da população baixa renda do que juros no Brasil

Avanço das apostas online supera impacto dos juros e se torna fator central no endividamento da população de baixa renda

Por Da Redação
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Bets comprometem mais o orçamento da população baixa renda do que juros no Brasil

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O crescimento das apostas online no Brasil tem provocado um impacto direto no orçamento das famílias, especialmente entre as de menor renda. Dados recentes indicam que as chamadas “bets” já superam os juros bancários como principal fator associado ao endividamento doméstico, em um cenário que combina melhora de indicadores econômicos com percepção negativa da população sobre a própria situação financeira.

Atualmente, 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior índice desde o início da série histórica em 2010. Embora o endividamento possa acompanhar ciclos de crescimento econômico, o problema se agrava quando há dificuldade de pagamento, sobretudo entre os mais pobres. Entre famílias com renda de até três salários mínimos, a inadimplência chega a 38,2%, enquanto nas que recebem acima de dez salários mínimos o índice é de 14,7%.

Nesse contexto já pressionado por custos básicos elevados, como alimentação e moradia, as apostas online passaram a ocupar uma fatia crescente do orçamento. Em 2024, o volume mensal movimentado por bets chegou a até R$ 21 bilhões, alcançando R$ 30 bilhões no início de 2025, segundo o Banco Central. Ao todo, cerca de 24 milhões de pessoas realizaram ao menos uma transferência para plataformas de apostas, incluindo milhões de beneficiários de programas sociais.

Estudos indicam que o impacto das apostas no endividamento é significativo. Um levantamento que analisou dados entre 2011 e 2025 mostrou que o peso das bets no aumento das dívidas familiares é cerca de três vezes maior que o dos juros ao consumidor e cinco vezes superior ao do crédito. Isso ocorre porque o modelo dessas plataformas estimula apostas rápidas e repetidas, o que pode acelerar perdas financeiras.

Entre os apostadores, há registros de comprometimento de renda com consequências diretas no consumo. Pesquisas apontam que parte dos usuários deixou de pagar contas ou reduziu gastos essenciais para continuar apostando. Nas classes mais baixas, o impacto é ainda maior proporcionalmente: valores que parecem pequenos em termos absolutos representam uma fatia significativa da renda mensal.

Apesar da regulamentação implementada nos últimos anos, incluindo restrições a empresas não autorizadas e bloqueios para beneficiários de programas sociais, especialistas apontam lacunas. Entre elas, a atuação do mercado ilegal e a ausência de limites mais rígidos sobre o funcionamento dos jogos, como velocidade das apostas e valores máximos.

A expansão das bets levanta preocupações não apenas econômicas, mas também sociais e de saúde pública. Em um cenário de orçamento já comprometido, o crescimento desse tipo de gasto tem sido apontado como um dos fatores que ajudam a explicar por que, mesmo com melhora de indicadores macroeconômicos, grande parte da população ainda percebe piora na própria condição financeira.

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