Bolsa fecha em forte alta com megaoperação da PF e efeito Tarcísio em pesquisa; Dólar cai
Durante o dia, a Bolsa ficou perto de registrar uma nova máxima histórica no fechamento

Foto: Imagem ilustrativa | Pexels
O Ibovespa fechou em forte alta de 1,32%, a 141.049 pontos, nesta quinta-feira (21), impulsionado por mais um dia de recuperação das ações de bancos brasileiros, pela alta dos papéis das distribuidoras de combustível após megaoperação da Polícia Federal contra PCC (Primeiro Comando da Capital) e pelo cenário eleitoral para as eleições do ano que vem.
Durante o dia, a Bolsa ficou perto de registrar uma nova máxima histórica no fechamento, após ultrapassar a barreira dos 142 mil pontos pela primeira vez.
Enquanto isso, o dólar registrou queda de 0,18%, cotado a R$ 5,406, acompanhando o cenário internacional. A moeda americana repercutiu os números da economia dos Estados Unidos em busca de sinais sobre os próximos passos do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA).
Na cena doméstica, uma nova pesquisa divulgada nesta manhã apresentou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um cenário hipotético de segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O levantamento realizado pela Atlas/Intel indica Tarcísio marcando 48,4% contra 46,6% de Lula na disputa presidencial do ano que vem.
A pesquisa do instituto também mostra a aprovação de Lula caindo para 48% em agosto, dois pontos percentuais abaixo de julho. A desaprovação subiu um ponto percentual, a 51%, no mesmo período.
Para Alexandre Pletes, head de Renda Variável da Faz Capital, a desaprovação do governo Lula e o Tarciso na liderança do segundo turno animaram os investidores. "A corrida eleitoral já começou, e é meio nítido que isso impactou o mercado financeiro. A dúvida é se esse movimento vai se manter".
Já de acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o avanço do debate eleitoral impulsionou o mercado. "[Existe] a leitura de que o governador de São Paulo vem se consolidando como principal nome da oposição, o que levou à valorização da maioria dos papéis que compõem o índice".
Tarcísio é considerado o principal nome da centro-direita para concorrer à Presidência contra o petista em 2026 e é tratado como candidato por banqueiros e empresários.
O mercado também acompanha as consequências da força-tarefa que atua para cumprir mandados de busca, apreensão e prisão em empresas do setor de combustíveis e do mercado financeiro nesta quinta. A operação mira mais de 350 alvos, pessoas físicas e jurídicas, que são utilizadas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital).
Pelas estimativas dos investigadores, o conjunto de negócios que foi alvo da operação nesta quinta movimentou cerca de R$ 30 bilhões para o crime organizado. Os agentes têm mandados para bloquear R$ 1,4 bilhão.
Como reflexo, as ações de distribuidoras de combustível subiram forte durante o dia. Os papéis da Ultrapar (dona dos postos Ipiranga) subiram 8,07%, enquanto as da Vibra Energia (maior distribuidora de combustíveis do Brasil) e Raízen tiveram alta de 4,96% e 2,83%, respectivamente, durante o pregão.
De acordo com Rodrigo Alvarenga, sócio da One Investimentos, a reação positiva dos investidores ocorre pela operação mirar postos clandestinos que, muitas vezes, não seguem regras e leis. "[A operação] sugere que vai aumentar o cerco contra esses postos, o que seria excelente para essas empresas."
Um dos 350 alvos da operação, a Reag Investimentos também tem operações listadas na Bolsa. Durante o dia, os papéis da empresa chegaram a registrar queda de 22,87%, mas se recuperaram parcialmente e fecharam em baixa de 15,69%.
Na agenda internacional, dados econômicos também estiveram no foco. Segundo o Departamento de Comércio dos EUA nesta quinta, o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos teve alta anualizada de 3,3% no segundo trimestre de 2025. A primeira leitura, divulgada há cerca de um mês, havia apontado avanço de 3%.
Apesar dos números da economia americana mostrarem crescimento, analistas ainda projetam um corte de juros para setembro pelo Fed. Jerome Powell, presidente do BC americano, sinalizou um possível corte durante discurso na última sexta.
Operadores precificam 84% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual em setembro, segundo dados da LSEG, com outro corte de mesma magnitude totalmente precificado até dezembro.
O Fed vem mantendo a taxa de juros entre 4,25% e 4,5% desde dezembro do ano passado.
Para os mercados de renda variável e de câmbio, cortes nos juros do Fed são uma boa notícia, já que costumam vir acompanhados de uma injeção de recursos de investidores egressos da renda fixa norte-americana. Quando os juros por lá caem, os rendimentos dos títulos ligados ao Tesouro dos Estados Unidos também caem.
Os agentes também continuam monitorando os desdobramentos da demissão de Lisa Cook, do Fed. Segundo analistas, a tentativa de Trump demitir a diretora gera incertezas sobre a autonomia da autoridade monetária americana.
Lisa é uma três diretoras do Fed com mandato que ultrapassa o período de governo de Trump, e foi uma das nove diretoras que votou pela manutenção da taxa de juros entre 4,25% e 4,5% na reunião realizada no fim de julho, decisão que irritou Trump.
Nesta quinta, a diretora entrou com uma ação judicial contra presidente Donald Trump, alegando que o republicano não tem poder para destituí-la do cargo.
As tentativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de negociar a tarifa de 50% imposta por Washington sobre produtos brasileiros permanecem no radar dos investidores, apesar das poucas novidades.
Os canais de negociação entre os países continuam fechados e há um temor de que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcado para a próxima semana, intensifique as tensões.
Integrantes do governo Lula (PT) e do STF (Supremo Tribunal Federal) consideram real a possibilidade de Trump aplicar novas sanções econômicas contra o Brasil e outras restrições a autoridades do país com o julgamento de Bolsonaro.
Segundo relatos de aliados que estiveram com o Bolsonaro nos últimos dias, ele considera uma condenação no processo da trama golpista de 2022 no STF (Supremo Tribunal Federal) como certa.
Esses aliados também preveem uma condenação, mas esperam que a Primeira Turma do Supremo não aplique a pena máxima pelos crimes que devem ser imputados a Bolsonaro.
Além disso, ministros do STF têm avaliado que uma prisão do ex-presidente Bolsonaro não deve ser cumprida em um quartel do Exército.
A avaliação parte de uma leitura no Supremo de que uma possível detenção de Bolsonaro em área militar poderia precipitar movimentos de apoiadores do ex-presidente em área próxima ao QG do Exército -uma reedição dos acampamentos golpistas de 2022.