BYD e Amado Batista são incluídos em nova atualização da 'Lista Suja' de trabalho escravo; mais de 160 novos empregadores são cadastrados
Bahia é o terceiro estado com maior número de empregadores incluídos

Foto: Reprodução/g1/RedesSociais
O governo federal atualizou, nesta segunda-feira (6), a chamada “lista suja”, que reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Ao todo, foram adicionados 169 novos empregadores no cadastro, entre eles o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD.
O número representa um aumento de 6,28% em relação à última atualização. Dos 169, 102 são pessoas físicas (patrões) e 67 são empresas (pessoas jurídicas). Com a nova atualização, cerca de 613 empregadores passaram a integrar a chamada "lista suja". As atividades econômicas com o maior número de empregadores incluídos na lista foram:
Serviços Domésticos (23);
Criação de bovinos para corte (18);
Cultivo de café (12);
Construção de edifícios (10);
Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (6).
Os novos casos incluídos no cadastro resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração e trabalho análogo à escravidão. A atualização também removeu 225 empregadores que completaram os dois anos de inclusão no cadastro. Os casos desta atualização ocorreram entre os anos de 2020 e 2025, em 22 unidades da Federação.
Os estados com maior número de empregadores incluídos foram:
Minas Gerais (35);
São Paulo (20);
Bahia (17);
Paraíba (17);
Pernambuco (13);
Goiás (10);
Mato Grosso do Sul (10);
Rio Grande do Sul (9);
Mato Grosso (7);
Paraná (6);
Pará (5);
Santa Catarina (4);
Maranhão (4);
Acre (2);
Distrito Federal (2);
Espírito Santo (2);
Rio de Janeiro (2);
Amazonas (1);
Ceará (1);
Rondônia (1);
Sergipe (1).
Relembre o caso: funcionários chineses da BYD eram vigiados por seguranças armados
A montadora BYD entrou no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024. Ao todo, cerca de 220 funcionários chineses haviam sido contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA).
Estes funcionários foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local. Um deles relatou ao Ministério Público da Bahia (MPT-BA) um acidente com uma serra devido ao cansaço provocado pela falta de folgas.
O MPT-BA também apontou que todos os trabalhadores entraram no país de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra. No final de 2025, o MPT firmou um acordo de R$40 milhões com a montadora chinesa e duas empreiteiras, após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.
Amado Batista
O cantor Amado Batista aparece em duas autuações registradas em Goianápolis (GO). Uma delas envolve o Sítio Esperança, com 10 trabalhadores, e a outra menciona o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores. Ambas também ocorreram em 2024.
A assessoria do cantor enviou uma nota a equipe do G1, afirmando que são "completamente falsas e inverídicas" as informações de que teria havido o resgate de 14 trabalhadores em propriedades vinculadas ao artista e os funcionários seguem trabalhando normalmente.
Ainda em 2024, a assessoria também informou que houve uma fiscalização em uma fazenda arrendada para o plantio de milho. Na ocasião, foram identificadas irregularidades na contratação de quatro trabalhadores ligados a uma empresa terceirizada responsável pela abertura da área de plantio.
Na nota, a assessoria diz que foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), e todas as obrigações trabalhistas foram integralmente cumpridas e quitadas.
Sobre a existência de duas propriedades, a assessoria negou o resgate de trabalhadores no Sítio Esperança. Também foram apontadas melhorias relacionadas à moradia e às áreas de convivência, que, segundo a nota, já foram realizadas e concluídas.
A assessoria acrescentou que todos os trabalhadores estão devidamente registrados e recebem regularmente seus direitos trabalhistas e encargos legais. Por fim, informou que estão sendo adotadas medidas administrativas para o encerramento de eventuais procedimentos de autuação.


