Carlos Bolsonaro chama Papudinha de 'ambiente prisional severo' e aliados criticam Moraes
"Meu pai não tem que para presídio nenhum, ele tem que ir para casa", diz Carlos

Foto: Arquivo pessoal
CAIO SPECHOTO E AUGUSTO TENÓRIO - O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) , afirmou que as novas instalações onde seu pai cumprirá pena por tentativa de golpe, na Papudinha, são um "ambiente prisional severo". A família e aliados pedem para que Bolsonaro seja colocado em prisão domiciliar, sob o argumento de que a saúde o ex-presidente é frágil.
Papudinha é o apelido da sede de um batalhão da Polícia Militar de Brasília que fica perto do Complexo Penitenciário da Papuda.
As manifestações de políticos próximos a Bolsonaro também criticam o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, principal responsável pela condenação do ex-presidente e juiz que determinou a transferência. Até esta quinta-feira (15), o ex-mandatário cumpria pena na sede da PF (Polícia Federal), também em Brasília.
Parte dos aliados de Bolsonaro entendeu a transferência como uma espécie de redução de danos, já que as instalações da Papudinha são maiores do que as da Polícia Federal. Mesmo esses, porém, insistem que o presidente deveria ser colocado em prisão domiciliar.
"Meu pai não tem que para presídio nenhum, ele tem que ir para casa", disse Carlos em um vídeo publicado em redes sociais. Ele afirmou que o ex-presidente tem problemas de saúde e que outros presos já foram enviados para domiciliar por muito menos.
O ex-vereador afirmou que seu pai é perseguido e que a eleição de 2026 é fundamental para ter esperanças. O grupo político bolsonarista quer aprovar uma anistia e eleger senadores em número suficiente para tirar Moraes do Supremo ou ao menos aumentar a pressão contra a corte.
"Alexandre de Moraes, suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante de tamanha maldade praticada contra o último presidente do Brasil, que jamais descumpriu uma linha da Constituição, e também contra os presos do 8 de janeiro", escreveu o ex-vereador em outra postagem.
"A transferência para um ambiente prisional severo, somada às aberrações jurídicas apontadas e ao estado clínico delicado, passa a representar mais do que o cumprimento de uma decisão judicial: transforma-se em um marco simbólico de confronto institucional, cujo impacto ultrapassa a figura de Jair Bolsonaro", disse.
Na semana passada, Bolsonaro deixou a prisão temporariamente para ter atendimento médico após sofrer uma queda. Ele passou por exames e voltou ao prédio da PF horas depois. O médico Brasil Caiado, que atende o ex-presidente, disse que ele sofreu um traumatismo craniano leve. O ex-presidente tem problemas de saúde recorrentes, principalmente ligados à facada da qual foi vítima durante a campanha eleitoral de 2018.
No fim do ano passado, já preso, ele foi submetido a cirurgia para corrigir hérnia. Dias depois, durante a mesma internação hospitalar, Bolsonaro passou por um outro procedimento médico para tentar controlar suas crises de soluços. Também em 2025, mas em abril, o ex-presidente foi submetido a uma operação de 12 horas para desobstrução intestinal.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), disse à Folha de S.Paulo que Moraes submete Bolsonaro a risco de vida. Em nota divulgada à imprensa, Marinho fez mais críticas ao ministro: "A transferência para a Papudinha escancara o abuso: traficantes e assassinos recebem tratamento mais humano do Estado do que um homem preso por crime impossível. Por mais que a nova prisão seja mais ampla que a atual, com idade e comorbidades que tem, Bolsonaro deveria estar em prisão domiciliar", afirmou o senador, falando que o aliado sofre "justiçamento".
O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), deu declaração na mesma linha. "A gente não quer Papuda ou Papudinha. A gente quer ele em casa. É mais um martírio, vamos continuar pressionando para ele ir para casa", declarou.
O relator do projeto que reduz as penas dos condenados no processo da trama golpista, senador Esperidião Amin (PP-SC), mencionou a possibilidade de a transferência ser uma redução de danos e citou as reclamações de Bolsonaro sobre o barulho do sistema de ar-condicionado da Polícia Federal perto de sua cela, mas também defendeu que o ex-presidente fosse para domiciliar e criticou Moraes.
Esperidião disse apoiar as declarações de Rogério Marinho, que defendeu a ida de Bolsonaro para casa. Também criticou o poder que Moraes exerce sobre o cumprimento da pena do ex-presidente.
"O preso é do Alexandre de Moraes, ele é que regula a vida do preso. Um ministro do Supremo Tribunal Federal é o guardião e costumes, e de práticas, do tempo de um preso", disse o senador.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no processo da trama golpista, concluído em setembro de 2025. Os ministros da Primeira Turma do STF o julgaram culpado pelos crimes de golpe de Estado, abolição do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio e deterioração do patrimônio tombado.
Ele foi considerado líder do movimento que não reconheceu o resultado da eleição presidencial de 2022, vencida por Lula, e atacou as sedes dos Poderes da República em 8 de janeiro de 2023.


