Com a vitória de Lula, Brasil se torna resistência à extrema-direita na América Latina, diz especialista
João Daniel, professor da PUC-RJ, também menciona que a reeleição do petista corroborou para interromper os avanços dos EUA

Foto: Reprodução/ Redes Sociais
A reeleição do presidente Lula, no último domingo (25), e a fuga do senador Flávio Bolsonaro mostram o Brasil como símbolo de resistência à extrema-direita. Segundo João Daniel, professor de relações internacionais da PUC-RJ, o cenário eleitoral brasileiro gerou repercussão nos EUA e agitou os políticos democratas.
Ele cita o impulsionamento nas redes sociais por parte dos democratas americanos, utilizando os mesmos métodos empregados no Brasil nos meios digitais. O especialista conclui que, provavelmente, eles (os democratas) têm chances de virar a Câmara e o Senado.
Além disso, João Daniel, em entrevista ao jornal O Globo, aponta que o resultado das urnas revelou os limites do poder e da interferência de Washington na América Latina, enfraquecendo assim a influência da "Doutrina Monroe". Com isso, a influência e o poder do secretário dos EUA, Marco Rubio, se enfraquecem frente ao fortalecimento das instituições brasileiras e das urnas eletrônicas.
Efeitos na América Latina
Para o professor, a vitória de Lula possui "forte relevância hemisférica", interrompendo a sequência de interesses dos estadunidenses na América Latina. Além disso, na visão do especialista, o Brasil se torna um exemplo de como superar a manipulação nas redes sociais. João Daniel ainda ressalta que a virada histórica provocou repercussão maior do que se Lula tivesse ganho no primeiro turno.
Como país sul-americano, o Brasil também interrompe "a onda azul" que dominava o continente.
Veja os governantes:
Argentina: Javier Milei
Chile: José Antônio Kast
Colômbia: Abelardo de la Espriella
Peru: Keiko Fujimori
Equador: Daniel Noboa
Todos os candidatos de extrema-direita usaram o discurso da segurança pública e combate a organizações criminosas, além dos cortes de gastos públicos. No Brasil, Flávio Bolsonaro também adotou o mesmo discurso; durante campanha, falou de "tesouraços" nos gastos públicos e de definir PCC e CV como organizações terroristas.


