Com o escândalo envolvendo o Banco Master, desconfiança em relação ao STF sobe para 60%, atingindo o pior índice da série histórica
Levantamento indica que maioria vê influência externa e falta de imparcialidade na Corte

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A desconfiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal atingiu 60%, o maior patamar desde o início da série histórica, em janeiro de 2023, segundo pesquisa AtlasIntel em parceria com o Estadão divulgada nesta sexta-feira (20). De acordo com o levantamento, 60% dos entrevistados afirmam não confiar na Corte, enquanto 34% dizem confiar e 6% não souberam ou não opinaram. O resultado representa uma piora significativa na imagem do tribunal.
Em janeiro de 2023, confiança e desconfiança estavam praticamente empatadas, com 45% e 44%, respectivamente. Já em agosto de 2025, o índice de desconfiança era de 51,3%.
A pesquisa foi realizada em meio à repercussão do caso envolvendo o Banco Master, que apura suspeitas de fraudes bilionárias e possíveis relações com integrantes do Judiciário. O levantamento aponta que 66,1% dos entrevistados acreditam que há envolvimento direto de ministros do STF no caso. Outros 14,9% discordam e 18,9% não souberam opinar. A percepção de interferência também é elevada: 76,9% afirmam que há muita influência externa de políticos, partidos ou grupos econômicos nas decisões relacionadas ao processo.
Para 53% dos entrevistados, o processo envolvendo o Banco Master não deveria ser julgado pelo STF. Já 36,9% defendem que o caso permaneça na Corte, enquanto 10,1% não souberam responder. Os dados indicam uma crise de confiança na atuação do tribunal, especialmente em casos de grande repercussão política e econômica.
A pesquisa também aponta forte divisão de opinião conforme posicionamento político dos entrevistados. Entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 96,5% dizem não confiar no STF. Já entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 71,4% afirmam confiar na Corte.
Entre os fatores apontados para a queda de confiança estão a percepção de falta de imparcialidade e o protagonismo do STF em temas políticos, em um cenário de forte polarização no país.
Diante da crise de imagem, a maioria dos entrevistados apoia medidas para reforçar a credibilidade do tribunal. Segundo a pesquisa, 57% consideram extremamente importante a criação de um código de ética para os ministros do STF.
O levantamento ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.


