Condenado a 120 anos por chacina em cinema é visto circulando em shopping de Salvador
Mateus da Costa Meira, hoje com 51 anos, foi considerado inimputável e voltou às ruas

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Condenado por matar três pessoas e ferir outras nove em um ataque a tiros dentro de um cinema em São Paulo, o ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, de 51 anos, está em liberdade há dois anos e passou a frequentar regularmente o Shopping Barra, em Salvador.
A presença do autor da chacina, segundo informações do jornal O Globo, tem causado preocupação entre funcionários e frequentadores do centro comercial, que recebe cerca de 50 mil pessoas por dia.
Solto pela Justiça da Bahia em 2024, Mateus costuma circular por cafés, livrarias e até pelas salas de cinema do shopping, cenário semelhante ao local onde cometeu o massacre em 1999, durante uma sessão do filme Clube da Luta, no Morumbi Shopping, em São Paulo.
A presença dele passou a chamar a atenção de clientes e lojistas, que começaram a fotografá-lo e compartilhar as imagens em grupos de WhatsApp.
Condenação
A liberdade de Mateus é o capítulo mais recente de uma longa disputa judicial iniciada após o massacre de 1999. Depois do crime, a defesa do criminoso tentou convencer a Justiça de que ele era inimputável, ou seja, que um transtorno mental grave o impedia de compreender a gravidade de seus atos e, por isso, não poderia ser responsabilizado criminalmente.
A tese foi rejeitada. Após avaliações psiquiátricas, uma junta de especialistas concluiu que, apesar de apresentar transtornos mentais, incluindo psicopatia, ele tinha plena capacidade de entender o caráter criminoso de suas ações. Em 2003, foi condenado a 120 anos de prisão pelo Tribunal do Júri.
Mudança de entendimento
Transferido para Salvador em 2004, Mateus voltou a alegar inimputabilidade após ser acusado de tentar matar outro preso dentro da penitenciária. Embora os laudos não tenham concluído de forma categórica que ele era incapaz de responder por seus atos, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) passou a defender essa tese.
Os jurados concordaram e a Justiça determinou sua internação em um hospital de custódia por tempo indeterminado.
Em 2024, a Justiça da Bahia autorizou sua desinternação, determinando que ele morasse com os pais e mantivesse tratamento psiquiátrico. Segundo apuração do jornal, porém, Mateus vive sozinho em uma quitinete em Salvador.


