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Neysexual": Por que Neymar desperta fascínio até entre homens? Neurocientista explica o fenômeno que viralizou nas redes!

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Por Michel Telles
Às

Neysexual": Por que Neymar desperta fascínio até entre homens? Neurocientista explica o fenômeno que viralizou nas redes!

Foto: Redes Sociais

Um fenômeno curioso vem chamando a atenção nas redes sociais: homens heterossexuais que brincam dizendo sentir atração por Neymar, em um movimento que ganhou até um nome informal na internet, "neysexual". Entre memes, comentários provocativos e declarações bem-humoradas, o assunto abriu espaço para uma discussão que vai muito além do futebol e levanta questões sobre comportamento, masculinidade e funcionamento do cérebro.

Para a neurocientista e analista emocional Telma Abrahão, o fenômeno não deve ser interpretado de forma simplista como uma questão de orientação sexual. Segundo ela, a forma como o cérebro cria vínculos simbólicos com figuras públicas ajuda a explicar por que determinados personagens despertam tanta admiração e identificação. "O cérebro humano tende a criar uma sensação de familiaridade e conexão com pessoas que ocupam um espaço de grande relevância social e midiática. Neymar reúne atributos associados a sucesso, status, competência, reconhecimento e visibilidade, tornando-se uma figura sobre a qual muitas pessoas projetam desejos, aspirações e até aspectos da própria identidade. Na internet, essa admiração frequentemente é traduzida em memes e brincadeiras. Em muitos casos, o humor funciona como uma forma socialmente aceita de expressar fascínio, identificação ou admiração por alguém que se tornou um ícone cultural", explica.

Embora boa parte das publicações tenha tom humorístico, muitas utilizam linguagem com conotação sexual. Para Telma, isso não significa necessariamente desejo literal. "Pode. A atração humana é muito mais complexa do que apenas orientação sexual. É possível admirar profundamente atributos físicos, carisma, confiança, competência ou poder sem que isso represente necessariamente um desejo sexual. Nas redes sociais, essa admiração muitas vezes aparece em forma de brincadeiras com conotação sexual, exageros ou comentários provocativos. Em muitos casos, estamos diante de uma erotização simbólica, utilizada como recurso de humor, e não de uma manifestação literal de desejo. O ambiente digital favorece esse tipo de linguagem porque amplifica o exagero e transforma emoções complexas em conteúdos facilmente compartilháveis”.

Além do humor, a especialista chama atenção para um efeito colateral desse tipo de viralização: a manutenção de estereótipos sobre como homens podem ou não demonstrar admiração. "Sim. As redes sociais tendem a simplificar comportamentos complexos em narrativas fáceis de consumir e compartilhar. Isso pode reforçar estereótipos tanto sobre quem admira o jogador quanto sobre a forma como os homens 'deveriam' demonstrar admiração entre si. Quando tudo vira meme, existe o risco de transformar formas legítimas de admiração em caricaturas. Como consequência, continuam sendo reforçados padrões rígidos de masculinidade, nos quais demonstrações de afeto, encantamento ou admiração entre homens ainda precisam ser justificadas pelo humor ou pela ironia”.

Na avaliação da neurocientista, as redes sociais também funcionam como um espaço onde homens negociam a maneira de expressar emoções sem confrontar diretamente expectativas culturais sobre masculinidade. "As redes sociais funcionam como um palco onde as pessoas constroem e apresentam versões de si mesmas. No caso dos homens, ainda existe uma expectativa social de demonstrar segurança, autoconfiança e controle emocional. Nesse contexto, o humor pode funcionar tanto como um mecanismo de proteção quanto como um regulador social. Ao transformar admiração em meme, muitos homens conseguem expressar afeto, encantamento ou fascínio sem sentir que estão rompendo diretamente com os modelos tradicionais de masculinidade. É uma forma de comunicar algo emocionalmente verdadeiro, mas revestido de ironia”.

Mas por que Neymar desperta esse tipo de reação mais do que outros atletas? Para Telma, a resposta passa pela forma como o cérebro responde à exposição constante. "Neymar deixou de ser apenas um atleta há muito tempo. Ele se tornou um fenômeno cultural. Sua imagem reúne talento esportivo, enorme exposição na mídia, uma vida pessoal amplamente acompanhada pelo público e uma presença constante nas redes sociais. Do ponto de vista da neurociência, figuras altamente expostas ativam sistemas cerebrais relacionados à atenção, à aprendizagem por repetição e à recompensa. Quanto mais frequentemente somos expostos a uma pessoa, maior tende a ser a sensação de familiaridade. Esse fenômeno, conhecido na psicologia como efeito da mera exposição (mere exposure effect), faz com que o cérebro passe a perceber aquela figura como mais próxima e relevante, mesmo sem qualquer contato direto. Esse fenômeno fala menos sobre o Neymar em si e mais sobre a forma como os homens vêm encontrando novas maneiras de expressar admiração, identificação e afeto em uma cultura que, historicamente, restringiu esse tipo de manifestação”.

Para a especialista, o caso mostra como a cultura digital tem remodelado a forma de expressar emoções. Entre memes e brincadeiras, o que parece apenas entretenimento pode revelar mudanças importantes na maneira como homens lidam com admiração, afeto e pertencimento em um ambiente cada vez mais influenciado pelas redes sociais.

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