Consumo de carne crua no BBB 26 acende alerta para riscos de intoxicação alimentar
Ao Farol da Bahia gastroenterologista explica riscos, sintomas e orienta sobre quando procurar atendimento médico

Foto: Reprodução/Globoplay
Um hábito alimentar de Gabriela Saporito, participante do Big Brother Brasil (BBB 26) se tornou um dos assuntos mais comentados da semana após a sister consumir carne crua durante o programa e ser chamada atenção pela produção. A prática da estudante de psicologia levantou um debate entre os internautas sobre os riscos alimentares que podem ser desenvolvidos a partir de uma proteína consumida sem o processo de cocção.
Ao Farol da Bahia, o gastroenterologista Dr. Ramon Góes, do Hospital Mater Dei Salvador, explicou que o principal risco está na ausência do cozimento adequado. “Quando a carne não passa por cozimento, pela cocção, ela não sofre uma das etapas mais importantes de segurança alimentar, que é o calor. O cozimento, principalmente acima de 70 graus no centro, ele consegue destruir as bactérias, os vírus, os parasitas, e sem isso, você pode ingerir os micro-organismos vivos", disse.
Segundo o especialista, mesmo carnes com aparência adequada podem oferecer perigo. “Essas bactérias, vírus e parasitas, você pode ingerir isso vivo, mesmo que a carne esteja bonita, cheirosa, fresca”. Entre os principais agentes estão bactérias como Salmonella, E. coli, Listeria e Campylobacter, além de parasitas como Taenia, Trichinella e Toxoplasma gondii.
Ele destaca que não há um único tipo de carne mais seguro para consumo cru e aponta o frango como a proteína mais perigosa, além de embutidos e peixes crus. “E um mito que a gente acaba ouvindo com muita frequência, é só um medo selecionado a carne suína, mas não, toda carne crua pode oferecer risco, não apenas a carne suína”.
"Na carne suína você pode ter alguns parasitas, como a Trichinella, a Taenia, a carne bovina pode ter E. coli, também tem as Taenia. Mas frango cru é o que acaba sendo mais perigoso de todos, que pode ter Salmonella, Campylobacter, peixe cru, que se faz sushi, sashimi, pode ter alguns parasitas como Anisakis", explicou.
"Então não é só a carne crua suína, mas a carne bovina, carne de frango, que o risco ainda é muito mais alto com a carne de frango, de todas elas parece ser a mais perigosa para ser consumida crua. Especificamente a calabresa, que é considerada um embutido curado, mas não necessariamente cozido, então pode sim conter bactéria, toxina, pode ter contaminação cruzada, então não é seguro comer calabresa crua, por exemplo, na rua, especialmente fora de controle sanitário mais rigoroso", acrescentou.
Mas e o consumo de tartar. Como fica?
O tartar é um prato feito com carne crua, geralmente bovina ou peixe, cortada em pedaços pequenos ou moída e, apesar dos riscos, o médico reforça que o consumo pode ser com segurança, caso a carne seja de excelente procedência e o preparo seja com higiene, além do consumo imediato.
"Dá para se consumir o tartar com segurança? Dá, mas sob condições muito específicas. O tartar não é isento de risco, mas esse risco pode ser controlado. Controlado como? Com boas práticas. Ingerir a carne extremamente fresca, de uma procedência confiável, de preferência comprar a peça inteira para se morrer na hora, com higiene rigorosa, manter refrigerado até o preparo e consumir o mais próximo possível, de preferência imediatamente", orientou o gastroenterologista.
Dr. Ramon Góes, no entanto, chama atenção para grupos de pessoas que não devem consumir esse tipo de prato e aponta os principais sintomas e sinais da intoxicação alimentar. Gestantes, idosos, crianças e pessoas imunossuprimidas estão entre os que são orientados a não realizar o consumo.
Sintomas e recomendações
Caso o indivíduo seja intoxicado com alimento, os sintomas podem surgir em poucas horas ou dias após o consumo. "Os sintomas mais comuns variam muito, mas costumam ser diarreia, náuseas e vômitos, dor abdominal, às vezes febre, e tem alguns sinais que a gente precisa estar muito atento porque requerem uma atenção maior e muito provavelmente uma ida ao pronto-socorro, precisa de uma avaliação médica. Sinais de desidratação, pele seca, boca seca, olhos secos", destacou o médico.
Em quadros leves, a recomendação é hidratação e alimentação leve. Já em situações com sinais de alerta, como desidratação, febre alta ou diarreia com sangue, a orientação é buscar atendimento médico. “Essas pessoas precisam evitar se automedicar, principalmente com antibiótico e procurar uma avaliação médica”, ressaltou.
Ao concluir, o especialista reforçou que o consumo de carne crua não é naturalmente segura e depende de controle rigoroso. “A segurança ela depende muito de uma cadeia rigorosa de controles, fora disso, o risco ele é real, muitas vezes ele é invisível, mas não impede que você consuma alguns tipos de preparados seguindo uma boa técnica e um controle rigoroso sanitário".


