CPMI do INSS: veja argumentos que levaram o STF a derrubar decisão que prorroga comissão
Por 8 votos 2, foi derrubada a decisão individual do ministro André Mendonça, relator do caso

Foto: Reprodução/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou nesta quinta-feira (26), a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por 8 votos 2, foi derrubada a decisão individual do ministro André Mendonça, relator do caso.
Prevaleceu a divergência aberta pelo ministro Flávio Dino. Seguiram nesta linha os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente Edson Fachin.
Entre os que votaram para rejeitar a ampliação da CPI Mista, um dos principais argumentos é de que o tema é uma questão interna do Congresso Nacional - assim, não caberia intervenção da Justiça. O ministro André Mendonça votou para manter a decisão individual e foi acompanhado pelo ministro Luiz Fux.
Veja os argumentos de cada um dos ministros no julgamento.
André Mendonça
Mendonça votou para manter a decisão e manter a prorrogação da CPMI. Para ele, a criação de CPIs é uma prerrogativa de minorias parlamentares, um direito assegurado à oposição.
"Não basta que se garanta direito de oposição, é imperioso garantir seu efetivo exercício", afirmou.
"Entendo que condicionar a prorrogação dos trabalhos à deliberação do presidente da respectiva casa é o mesmo que, ainda que por via indireta, subtrair da minoria qualificada um dos instrumentos mais eficazes para a concretização dos direitos da minoria", completou.
Flávio Dino
Flávio Dino foi o segundo a votar , e abriu uma divergência afirmando que não há um "suposto direito à prorrogação automática" de CPIs. Além disso, ponderou que o tema é de competência do Poder Legislativo.
"Reconhecer a prorrogação automática seria reconhecer que o Parlamento dispõe de poder maior que o Judiciário", declarou.
Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes votou logo em seguida, dizendo que a Constituição prevê prazo certo para estas comissões. Para ele, uma prorrogação automática desrespeita o requisito do prazo certo das CPIs e configura "desvio de finalidade". Alegou também que não cabe ao STF interpretar normas regimentais do legislativo.
"Transformar ou ampliar o direito da minoria a sucessivas prorrogações automática é simplesmente ignorar o que é uma CPI", disse o ministro.
Cristiano Zanin
Também votou contra a decisão de Mendonça. O ministro afirmou que não estavam presentes os requisitos para concessão do pedido dos parlamentares. Ele ressaltou que criação e prorrogação de CPIs são situações distintas.
"Não vejo a possibilidade de interpretarmos os regimentos", afirmou.
Nunes Marques
Nunes também concordou com a divergência, e explicou que o texto constitucional se limita a tratar das regras de criação. E que a questão da prorrogação envolve uma decisão do Congresso Nacional.
"Para esse caso específico, me preocupa não permitir que a Casa faça seus arranjos. Se há um desvio de finalidade, se havia assinaturas, isso é uma margem de discricionariedade do chefe de Poder", afirmou.
Luiz Fux
Foi o único que acompanhou o relato de André Mendonça. Apesar de classificar as críticas de Gilmar Mendes à atuação da comissão como "absolutamente procedentes". Fux argumentou que o funcionamento do Parlamento não pode impedir as manifestações da minoria, que tem a CPI como um instrumento básico.
"Entendo que se deve reconhecer a clara violação ao direito subjetivo [dos parlamentares] no caso concreto", disse.
Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli votou logo em seguida a favor da divergência apresentada por Flávio Dino. Ele pontuou o "apreço" pelo Congresso Nacional e argumentou que se trata de questão interna do Legislativo.
"Temos que ter autocontenção, porque a história nos mostra que, se nós interferirmos na questão política, nós temos, na verdade, consequências posteriores".
Cármen Lúcia
O voto da ministra Cármen Lúcia consolidou a maioria contrária à prorrogação. A ministra ressaltou o papel do Congresso e a importância da investigação, mas salientou a necessidade de contenção e respeito integral à legislação.
"A comissão é prorrogável, mas não prorrogada automaticamente", alegou Cármen Lúcia.
Gilmar Mendes
O ministro iniciou o voto pontuando que ocorreram no INSS "fatos ignóbeis [desprezíveis]". Assim como os ministros da mesma linha, o decano pontuou que o tema deve ser debatido internamente pelo Parlamento.
"Pode a CPI pedir a prorrogação? Claro. Mas esta será uma questão interna do Congresso".
Edson Fachin
O ministro e presidente do STF, foi o último a votar, e afirmou que a Constituição garante o direito à instauração da CPI. No entanto, entende que cabe a discussão do tema da prorrogação no âmbito da ação apresentada, um mandado de segurança.
Para o ministro, mesmo que a questão seja de âmbito interno, se houvesse ofensa a direitos constitucionais, o STF poderia discutir o tema.
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