Crise entre PF e AGU cresce após suspeita de monitoramento de Jorge Messias
Advogado-geral questionou Andrei Rodrigues sobre suposta vigilância; quatro dias depois, diretor-geral da PF foi afastado por André Mendonça

Foto: Reprodução/Lula Marques / Agência Brasil | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, foi questionado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, sobre uma suposta vigilância de seu telefone durante reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio do Planalto.
Segundo relatos, Messias perguntou se estava sendo monitorado pela PF. Rodrigues negou. A conversa ocorreu em meio às divergências envolvendo as investigações do Banco Master e foi descrita como tensa por pessoas que tiveram conhecimento do episódio.
Quatro dias depois, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou o afastamento de Rodrigues do comando da PF. A decisão apontou suposto “monitoramento sistemático” e “ilícito” contra o diretor-geral e Jorge Messias.
Conflito após o afastamento
A AGU recorreu da decisão de Mendonça, mas Rodrigues teria recusado ser representado pelo órgão. O diretor-geral contratou uma advogada particular e recorreu ao ministro Flávio Dino, que determinou seu retorno ao cargo.
A AGU apresentou recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, que posteriormente derrubou as decisões de Dino e Mendonça e determinou a manifestação dos envolvidos.
Relatório da PF
O encontro entre Lula, Messias e Rodrigues ocorreu um dia após Alexandre de Moraes retirar o sigilo de um relatório de inteligência da PF sobre a atuação de Mendonça nas investigações do Banco Master.
O documento analisou também a decisão da AGU de não recorrer contra medidas do ministro e citou, entre as hipóteses levantadas, uma “matriz religiosa comum” entre Messias e Mendonça.
Em outro trecho, o relatório mencionou a possibilidade de “monitoramento e coleta dirigida”. Segundo os relatos, essa referência aumentou a desconfiança de Messias de que estaria sendo monitorado.
Mendonça nega as acusações de atuação com finalidade eleitoral, enquanto Messias e Rodrigues não se manifestaram sobre os episódios.


