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'Dark Horse', filme sobre Bolsonaro, entra com pedido para lançamento na Ancine

Inicialmente previsto para antes das eleições presidenciais de 4 de outubro e hoje sem data de lançamento definida

Por FolhaPress
Às

'Dark Horse', filme sobre Bolsonaro, entra com pedido para lançamento na Ancine

Foto: Instagram/Jim Caviezel

DAVI GALANTIER KRASILCHIK

A Europa Filmes entrou com um pedido de registro para "Dark Horse", longa sobre a eleição de Jair Bolsonaro, na Ancine, a Agência Nacional do Cinema. A medida foi confirmada pelo órgão, que diz que a distribuidora protocolou um registro de obra estrangeira, o mesmo que produções internacionais precisam solicitar para serem lançadas no país.

Inicialmente previsto para antes das eleições presidenciais de 4 de outubro e hoje sem data de lançamento definida, "Dark Horse" vai precisar da autorização da Ancine para chegar às salas de cinema. Além do registro de obra estrangeira, a produção deve ainda obter o Certificado de Registro de Título e classificação indicativa, esta emitida pelo Ministério da Justiça.

A análise do pedido costuma levar um mês, mas para a produção sobre Jair Bolsonaro, o prazo deve ser maior. Isso porque a Ancine investiga irregularidades, como a falta de comunicação prévia exigida para produções estrangeiras gravadas no Brasil.

Dirigido pelo americano Cyrus Nowrasteh e estrelado pelo compatriota Jim Caviezel, o longa foi roteirizado pelo deputado Mario Frias (PL-SP), produzido pela Go Up Entertainment —produtora brasileira sediada na Califórnia—, reuniu profissionais estrangeiros e brasileiros e está envolto em polêmicas.

Fora denúncias de pagamentos atrasados, agressões e assédio moral a figurantes nacionais e outros casos durante as filmagens, a principal controvérsia diz respeito a mensagens, divulgadas pelo Intercept Brasil em maio, entre o pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Nas mensagens, o filho do ex-presidente pede dinheiro para finalizar o filme ao dono do Banco Master, que teria pago R$ 61 milhões de um total de R$ 134 milhões acordados para a produção.

O pedido de registro vem na esteira de uma nota emitida pela Paris Filmes na semana passada, em que a distribuidora nacional, que esteve à frente de sagas como "Jogos Vorazes", afirmou ter recusado uma proposta para distribuir "Dark Horse".

Fora a distribuição, o filme também terá de batalhar pelo interesse das redes de cinema. Em maio, o documentário "A Colisão dos Destinos", também sobre Bolsonaro, chegou a 17 estados, mas fora dos grandes complexos e do circuito Rio-São Paulo.

Profissionais do setor audiovisual dizem que filmes com esse teor político, especialmente em período eleitoral, costumam afastar os programadores.

A Europa Filmes está registrada na Ancine desde 2010 e tem diversos filmes sob a sua alçada. Há três anos, a agência reprovou a prestação de contas da empresa e exigiu a devolução de recursos obtidos para a distribuição de "Marcha da Vida", sobre sobreviventes do Holocausto.

Já a Go Up Entertainment, fundada pela jornalista Karina Ferreira da Gama, está registrada desde 2025 e não lançou nenhum projeto no Brasil ou lá fora. A dona da produtora também preside o Instituto Conhecer Brasil, que vem sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal pelo repasse de R$ 2 milhões a Frias para a produção de filmes.

Antes de obter uma distribuidora, "Dark Horse", que vê Bolsonaro como uma figura messiânica e a facada contra ele como uma operação de opositores, entrou na mira do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na época, o grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), aliados ao presidente Lula, emitiram um pedido de investigação sobre o financiamento e alegaram que a obra poderia ser uma "peça de comunicação política de enorme impacto" se lançada durante as eleições.

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