Dark Horse: relatório aponta suspeita de desvio de R$ 26 milhões em recursos públicos para filme
Recursos seriam provenientes de um contrato do programa WiFi Livre de São Paulo

Foto: Reprodução
A Polícia Civil de São Paulo identificou “consistentes suspeitas” de que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear a produção do filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A informação consta de relatório divulgado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, neste domingo (13), após o levantamento do sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo.
Quanto foi pago pelo contrato
Segundo o relatório, o município teria pago R$ 69 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pelo contrato, enquanto o valor estimado pelos investigadores para o período em que houve fornecimento efetivo de internet seria de cerca de R$ 43 milhões.
A diferença de aproximadamente R$ 26 milhões é apontada pela Polícia Civil como um valor pago por serviços que não teriam sido prestados.
O documento também aponta outras irregularidades no contrato, incluindo a instalação de apenas parte dos pontos de internet previstos.
Como os recursos teriam chegado ao filme
A investigação aponta que os recursos destinados ao programa WiFi Livre SP teriam sido movimentados por meio de empresas subcontratadas e outras organizações sociais ligadas às pessoas investigadas. A Polícia Civil aponta suspeitas de confusão patrimonial e de lavagem de dinheiro.
No centro da apuração está Karina Ferreira da Gama, apontada pelos investigadores como a principal figura ligada às empresas e entidades envolvidas no caso.
Ela preside o Instituto Conhecer Brasil, que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público, e também é sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.
Para a Polícia Civil, a relação entre o ICB, a Go Up e outras organizações ligadas a Karina sustenta as suspeitas de que recursos públicos do programa de internet tenham sido direcionados para as atividades de produção do filme.
Contrato tinha diferença de custos
O relatório aponta ainda uma disparidade entre os valores cobrados pelo Instituto Conhecer Brasil e os praticados pela própria administração municipal.
De acordo com a Polícia Civil, a empresa pública municipal Prodam cobrava R$ 230 pela instalação de cada ponto de internet e R$ 306 pela manutenção mensal. Já o contrato firmado com o ICB estabeleceu o valor de R$ 1.800 por ponto.


