• Home/
  • Notícias/
  • Economia/
  • Dólar bate R$ 5 e Bolsa cai após reportagem vincular Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro

Dólar bate R$ 5 e Bolsa cai após reportagem vincular Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro

A turbulência ocorre em meio ao temor do mercado financeiro de que a notícia dificulte a tentativa de eleição de Flávio Bolsonaro

Por FolhaPress
Às

Dólar bate R$ 5 e Bolsa cai após reportagem vincular Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro


MATHEUS DOS SANTOS E JÚLIA MOURA - O dólar fechou em disparada, cotado a R$ 5,003, e a Bolsa caiu nessa quarta-feira (13) depois de o The Intercept Brasil publicar que o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o pagamento de R$ 134 milhões para bancar um filme sobre Jair Bolsonaro.

A reportagem obteve um áudio que mostra Flávio cobrando do dono do Banco Master o pagamento de quantias para financiar a gravação do filme "Dark Horse", que faz uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Questionado pelo The Intercept Brasil durante uma entrevista coletiva sobre a informação, Flávio afirmou que é "mentira".

O site mostra uma troca de mensagem entre Flávio e Vorcaro, com o filho do ex-presidente dizendo: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!". Um dia após essa mensagem, o controlador do Master foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio classificou o áudio como "nada mais que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai". Disse ainda que conheceu Vorcaro em 2024, quando, segundo o presidenciável, não havia acusação contra o ex-banqueiro.

Flávio disse ainda que havia um contrato com Vorcaro sobre o filme, e que as parcelas deixaram de ser pagas em um determinado momento, o que poderia inviabilizar a conclusão da produção. Outros investidores foram procurados, disse ele.

A turbulência ocorre em meio ao temor do mercado financeiro de que a notícia dificulte a tentativa de eleição de Flávio Bolsonaro, o que poderia favorecer uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas avaliam que o senador tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula. Integrantes da equipe econômica do pré-candidato defendem um ajuste fiscal inicial equivalente a dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) em caso de vitória eleitoral.

"Com um lado político apresentando medidas populistas que elevam o risco fiscal do país, e o outro lado depreciando em meio a supostos escândalos de corrupção, o risco Brasil cresce e reflete no mercado financeiro, com o investidor diminuindo a exposição a ativos de risco", afirma Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

Na máxima do dia, a moeda americana atingiu R$ 5,014 (+ 2,46%) e depois recuou para o maior valor de fechamento desde 10 de abril, quando encerrou o dia a R$ 5,011. No dia, o dólar subiu 2,24%.
A Bolsa caiu 1,79%, a 177.098 pontos. Na mínima do pregão, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, recuou 1,97%.

Em dezembro, quando Flávio Bolsonaro foi anunciado como candidato de Jair Bolsonaro, o mercado financeiro também reagiu negativamente, com disparada do dólar e queda de 4% da Bolsa. Até então, o nome preferido da Faria Lima era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Seis meses depois, Flávio Bolsonaro passou a ser visto por parte dos investidores como o candidato de preferência.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse à coluna de Mônica Bergamo que vai entrar com uma representação na PF (Polícia Federal) e outra na PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a prisão preventiva do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a queda da Bolsa está relacionada à preocupação dos investidores. "Assunto Master é um assunto muito ligado à percepção de corrupção no Brasil e até agora não vinha sendo associado explicitamente à família Bolsonaro".

André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, a reportagem tende a dificultar a candidatura de Flávio. "Há componentes externos também, como o índice de preço ao produtor americano vir mais forte que o esperado, na máxima mensal desde 2022. [...] Mas o estresse do dólar na parte da tarde podemos atribuir, sim, a questões domésticas".

Segundo pesquisa presidencial Genial/Quaest, divulgada nessa quarta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto, contra 41% do filho do ex-presidente. Brancos, nulos e quem diz que não vai votar vão a 14%, e indecisos, 3%. Na rodada anterior, de abril, o filho de Jair Bolsonaro registrava 42% das intenções de voto, e Lula, 40%.

Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura, destaca que a notícia limita chances de mudança de governo. "Com essas pesquisas apertadas, complica muito".

A reportagem também pressionou os juros futuros. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, dispararam. A taxa do DI para janeiro de 2028 avançou a 14,050% (alta de 22 pontos-base). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 14,15%, com alta de 27 pontos-base.

SITE DE PREDIÇÃO

As chances de Flávio ganharem em plataformas de aposta como Kalshi e Polymarket caíram cerca de 17% desde que o site Intercept Brasil divulgou áudios entre o senador e Vorcaro. Na Polymarket, o candidato marca 28% de probabilidade de vitória às 18h28 desta quarta-feira (13), contra 45% antes da notícia ser veiculada.

Esses sites permitem jogar em qualquer tema, diferentemente das bets que são restritas a esportes e cassinos online. Parte dos investidores usa as estatísticas de Kalshi e Polymarket como referência da probabilidade de eventos ocorrerem, incluindo até o desfecho de eleições. Os sites foram bloqueados no Brasil.

No mesmo período, as chances de Lula subiram 6% (de 40% para 46%) e as do governador mineiro Romeu Zema, também 6%, chegando a 10%. A Kalshi não exibe o resultado mais recente, impossibilitando a comparação.

O dia também foi marcado por dados de inflação dos EUA acima do esperado elevando as previsões de juros mais altos no país e fortalecendo a moeda norte-americana, o que pressiona moedas de mercados emergentes, como o real.

Nessa quarta, o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho divulgou que o índice dos preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) aumentou 1,4% em abril. O avanço foi bem superior do que a projeção dos economistas consultados pela Reuters, que previam alta de 0,5%. A alta foi o maior desde março de 2022.

Os dados se somam a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) de abril, divulgados na terça-feira (12). O indicador, que mede os preços pagos pelas famílias em itens como alimentação e saúde, avançou para 3,8% no mês, seu maior nível em três anos.

Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que os dados mostram uma inflação aquecida nos EUA, o que sugere pressão sobre os preços repassados ao consumidor nos próximos meses.

"Isso reduz bastante a possibilidade de corte de juros no curto prazo. [...] A ideia de que as taxas americanas permanecerão elevadas por mais tempo favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano, ajuda na atração de capital externo para os Estados Unidos e fortalece o dólar globalmente, pressionando moedas emergentes como o real".

O pano de fundo da alta inflacionária do país é a guerra do Oriente Médio. O conflito pressiona as cotações do petróleo a adiciona incertezas as cadeias globais de insumos.

Além do efeito nos combustíveis, há o temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos insumos da cadeia produtiva. O transporte de fertilizantes, outra matéria-prima do agronegócio, também tem sido afetado pela guerra.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário

Nome é obrigatório
E-mail é obrigatório
E-mail inválido
Comentário é obrigatório
É necessário confirmar que leu e aceita os nossos Termos de Política e Privacidade para continuar.
Comentário enviado com sucesso!
Erro ao enviar comentário. Tente novamente mais tarde.