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Eliminações podem frustrar previsões de venda de cerveja, e Ambev amarga perdas na Bolsa

As derrotas dos países que estão entre os maiores consumidores da bebida no mundo provavelmente levarão a um consumo menor do que o esperado

Por FolhaPress
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Atualizado
Eliminações podem frustrar previsões de venda de cerveja, e Ambev amarga perdas na Bolsa

Foto: Rafael Ribeiro / CBF

TAMARA NASSIF - Torcedores do Brasil e do México despertaram nesta segunda-feira (6) ainda com o gosto amargo das eliminações na Copa do Mundo. Para as empresas cervejeiras, a sensação talvez seja parecida.

A saída das duas seleções do torneio pode frustrar as projeções de vendas de cerveja no terceiro trimestre, diz relatório do Morgan Stanley divulgado nesta segunda. Ainda que a Copa continue, as derrotas dos países que estão entre os maiores consumidores da bebida no mundo provavelmente levarão a um consumo menor do que o esperado se ambos os times tivessem avançado para as fases seguintes da competição.

A Ambev, subsidiária da América Latina da AB InBev, gigante cervejeira da Bélgica- é a mais exposta a esse risco, afirmam os analistas. As ações caíram 2,5% no pregão da Bolsa brasileira e 4% em Bruxelas. Nos Estados Unidos, a Constellation Brands, que distribui as marcas Corona e Modelo no país, caiu 5%. A Heineken, que também tem exposição "significativa" aos mercados brasileiro e mexicano, caiu 1,4% no pregão de Amsterdã.

O Brasil amargou uma derrota para a Noruega e, assim, enfileira o maior jejum de títulos em Copa do Mundo na história. A seleção pentacampeã não conseguiu chegar às quartas de final pela primeira vez desde 1990, vendo o sonho da sexta estrela do brasão derreter após dois gols de Erling Haaland. Já o México perdeu para a Inglaterra em uma partida eletrizante de cinco gols e uma expulsão, com o zagueiro inglês Jarell Quansah sendo retirado de campo ainda no começo do segundo tempo.

A eliminação precoce da seleção brasileira provavelmente vai ser mais danosa às vendas de cerveja do que a saída do México, afirmam os analistas. Isso porque o mercado de consumidores é maior e o sonho pelo Hexa, mais mobilizante do que as expectativas dos torcedores mexicanos, que nunca viram o El Tri levantar a taça da Fifa.

"Acreditamos que a concentração do aumento no volume de cerveja provém de jogos que avançam para as fases finais dos torneios", dizem os analistas do Morgan Stanley. O relatório aponta que, no começo de junho, as apostas eram de que o Brasil iria mais jogos do que o México 0,9 jogos nas fases avançadas do torneio, contra 0,26 do lado mexicano, segundo as probabilidades da Bet365 à época.

"Portanto, a eliminação precoce do Brasil representa uma surpresa negativa mais significativa, dado o tamanho do mercado de cerveja brasileiro e a maior expectativa de avanço na competição. A saída do México configura uma eliminação menos 'precoce' em relação às expectativas, mas a concretização desse cenário negativo ainda deve ter um impacto levemente desfavorável", apontam os analistas.

"Vemos esse impacto negativo principalmente como a ausência de crescimento incremental que teria ocorrido caso qualquer uma das equipes tivesse avançado mais na competição."
Segundo as estimativas do Morgan Stanley, isso significa queda de 0,6 ponto percentual no crescimento de vendas no Brasil. A expectativa anterior, com base nas apostas de junho, era de alta de 0,7 ponto. No México, a queda é de 0,2 ponto, ante projeção inicial de alta de 0,3 ponto.

As esperanças do mercado cervejeiro agora se concentram no avanço dos Estados Unidos às próximas etapas do torneio. A seleção americana enfrenta a Bélgica nesta segunda, e cerca de 20% da receita da AB InBev vem do mercado norte-americano. Não é possível dizer, porém, se o avanço dos Estados Unidos na Copa será o suficiente para compensar as perdas previstas na América Latina.

"Dada a história mais recente do futebol no país, o impacto positivo da cerveja em caso de uma campanha avançada ainda não foi amplamente comprovado e pode trazer uma surpresa positiva se a seleção continuar avançando, especialmente considerando o contexto de país-anfitrião e a magnitude do mercado de cerveja nos EUA", dizem.

O presidente Donald Trump ainda agiu para manter o sonho vivo. O republicano admitiu ter ligado para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir revisão de cartão vermelho dado ao atacante Folarin Balogun, que fez uma falta sobre Tarik Muharemovic no duelo contra a Bósnia-Herzegovina. O lance foi revisado pelo árbitro de vídeo e terminou com a expulsão do camisa 20.

Trump também atacou o árbitro brasileiro Rafael Claus, responsável pela punição ao atleta americano.

"Esse árbitro é um tanto suspeito se você verificar o passado dele. Não quero dizer isso, pois não gosto de criar polêmica, mas é muito suspeito", disse Trump.

A Fifa anulou o cartão e liberou Balogun para entrar em campo na partida contra a Bélgica nesta noite. Os americanos podem chegar às quartas de final pela primeira vez desde 2002 caso vençam.

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