• Home/
  • Notícias/
  • Michel Telles/
  • Entre a dor e o renascimento celebrados na Semana Santa, a Psicanálise ensina sobre como lidar com o luto e quando buscar ajuda!

Entre a dor e o renascimento celebrados na Semana Santa, a Psicanálise ensina sobre como lidar com o luto e quando buscar ajuda!

Aos detalhes...

Por Michel Telles
Às

Entre a dor e o renascimento celebrados na Semana Santa, a Psicanálise ensina sobre como lidar com o luto e quando buscar ajuda!

Foto: O luto também pode ser compreendido como um processo de transformação (Imagem: Freepik)

A proximidade da Semana Santa, período que simboliza a morte e a ressurreição de Jesus, costuma despertar não apenas reflexões religiosas para aqueles que professam as religiões com base cristã, mas também emoções profundas ligadas à perda, à ausência e à finitude da vida. Para muitos, é um tempo de recolhimento; para outros, um momento em que feridas antigas se reabrem, trazendo à tona a dor do luto.

Na perspectiva da Psicanálise, a morte não é apenas um evento biológico inevitável, mas uma experiência que mobiliza intensamente o psiquismo. Desde os estudos de Sigmund Freud, o luto é compreendido como um processo necessário, no qual o sujeito precisa, pouco a pouco, desligar sua energia emocional da pessoa que se foi, reorganizando sua vida psíquica diante da ausência.

O Pai da Psicanálise diferenciou o luto da melancolia como dois estados que, embora possam parecer semelhantes, têm naturezas distintas. No primeiro, apesar da dor, o indivíduo reconhece a perda e, com o tempo, consegue ressignificar a ausência. Já no segundo, há uma identificação profunda com aquilo que foi perdido, o que pode levar a sentimentos persistentes de vazio, culpa, desvalorização e sofrimento intenso.

Para a psicanalista Sílvia A. Santana, diretora do Centro de Especialização e Acompanhamento Psicológico & Psiquiátrico (CEAPP), referência em formação e atendimento na área de saúde mental, o luto não deve ser apressado nem silenciado. “Vivemos em uma sociedade que tem dificuldade de lidar com a morte e, muitas vezes, exige que as pessoas ‘sigam em frente’ rapidamente. Mas o luto é um trabalho psíquico. Ele precisa de tempo, de elaboração e, principalmente, de acolhimento”, afirma.

Segundo ela, datas simbólicas universais como a Semana Santa e o Natal tendem a intensificar esse processo. “A narrativa da morte e da ressurreição toca diretamente o inconsciente, porque fala de perda, dor, mas também de transformação. Para quem está enlutado, isso pode despertar tanto sofrimento quanto a possibilidade de dar novos sentidos à experiência da ausência”, explica.

Quando o luto deixa de ser um processo e se torna um risco

Embora o luto seja uma resposta natural à perda, ele pode, em alguns casos, evoluir para um quadro mais grave, conhecido como luto patológico ou complicado. Nesses casos, a dor não diminui com o tempo e ao contrário, se intensifica ou se cristaliza, comprometendo a vida emocional, social e até física do indivíduo.

Entre os sinais de alerta estão a tristeza profunda e persistente, isolamento social extremo, dificuldade de retomar atividades cotidianas, sentimentos intensos de culpa, desesperança prolongada e a sensação de que a vida perdeu completamente o sentido. Alterações no sono, no apetite e na energia também podem indicar que o sofrimento ultrapassou o esperado para um processo de luto.

“O problema não é sofrer, pois esse sentimento é esperado. O que nos preocupa é quando a pessoa fica aprisionada na dor, sem conseguir simbolizar a perda e seguir com a própria vida”, destaca a psicanalista. “Nesses casos, a escuta clínica é fundamental para ajudar o sujeito a elaborar o que foi perdido e reconstruir sua relação com o mundo.”

Como lidar com o luto e quando buscar ajuda

Especialistas apontam que não existe uma forma única ou “correta” de viver o luto. Cada pessoa responde à perda de acordo com sua história, seus vínculos afetivos e sua estrutura emocional. Ainda assim, algumas atitudes podem ajudar nesse processo:

Permitir-se sentir a dor, sem tentar reprimi-la ou apressar sua superação, é um dos primeiros passos. Falar sobre a pessoa que se foi, manter rituais de despedida ou memória e buscar apoio em amigos, familiares ou grupos de acolhimento também são estratégias importantes. Em muitos casos, a espiritualidade, especialmente em períodos como a Semana Santa, pode oferecer conforto e significado.

No entanto, quando o sofrimento se torna intenso e persistente, a busca por ajuda profissional é essencial: “Psicólogos e psicanalistas podem oferecer um espaço seguro de escuta, onde a dor pode ser elaborada sem julgamentos e vista com seriedade e cuidado. “A elaboração da perda não significa esquecer, mas encontrar um novo lugar para aquilo que foi vivido. É possível continuar vivendo, mesmo com a ausência e isso também é uma forma de transformação”, conclui Sílvia A. Santana.

Assim como a narrativa da Semana Santa aponta para a travessia entre a morte e a ressurreição, o luto também pode ser compreendido como um processo de transformação. Segundo a psicanalista, não se trata de apagar a dor, mas de integrá-la à própria história, permitindo que, aos poucos, a vida encontre novos sentidos.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário

Nome é obrigatório
E-mail é obrigatório
E-mail inválido
Comentário é obrigatório
É necessário confirmar que leu e aceita os nossos Termos de Política e Privacidade para continuar.
Comentário enviado com sucesso!
Erro ao enviar comentário. Tente novamente mais tarde.