Entre Barradão lotado e experiência argentina, Marinho e Véliz esperam pelo Ba-Vi
Camisa 7 do Vitória conhece o peso da rivalidade, enquanto camisa 9 do Bahia estreia no clássico após viver a intensidade dos duelos de Rosário

Foto: Victor Ferreira/ EC Vitória e Catarina Brandão/ EC Bahia
O último Ba-Vi de 2026 já movimenta o final de semana de Bahia e Vitória. Neste domingo (23), às 16h, no Barradão, os rivais se enfrentam pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro em um clássico que reúne experiências diferentes. Enquanto Marinho, camisa 7 do Vitória, já conhece o peso de uma rivalidade como essa, Alejo Véliz, camisa 9 do Bahia, terá seu primeiro contato com o Ba-Vi dentro de campo.
Com experiência em clássicos ao longo da carreira, Marinho sabe que esse tipo de partida mexe de forma diferente com jogadores e torcedores. O camisa 7 também reconhece o significado especial de disputar a rivalidade vestindo a camisa do Vitória.
“Com certeza já disputei vários clássicos por aí afora. Mas esse tem um gostinho especial, até porque quando você é torcedor do clube, você quer viver esse momento. Então, a semana inteira a gente fica pensando, doido para que esse jogo comece logo. A gente fica um pouco ansioso para que chegue logo, mas a gente sabe conter essa emoção. É isso, preparar bem e domingo eu tenho certeza que vai ser um grande duelo, um grande jogo. Espero que a gente venha sair feliz nessa tarde de domingo.”
O momento do Vitória também alimenta a confiança de Marinho. Depois de vencer o Botafogo por 1 a 0 e encerrar uma sequência de três derrotas no Brasileirão, o Rubro-Negro tenta aproveitar o bom desempenho em casa para buscar mais um resultado positivo.
“A gente sabe que a força do Barradão é impressionante, né? A gente já mostrou isso. O Brasil inteiro conhece. E o mais importante é a gente saber que é criada uma atmosfera diante de tudo aquilo que a gente vem fazendo dentro de casa. A gente sabe também que clássico é definido no detalhe. A gente sabe também que ele vem com bons resultados fora de casa, mas o mais importante é o nosso trabalho. A gente continuar focado, trabalhar bem nesta semana para que a gente venha fazer um grande jogo dentro da nossa casa, diante do nosso torcedor.”
A expectativa é de arquibancadas lotadas, cenário que o atacante considera importante para um confronto desse tamanho. Para Marinho, a presença da torcida pode ajudar a equipe a transformar a atmosfera do clássico em combustível durante os 90 minutos.
“Claro que a gente não tem nem dúvida, né? Quando é um jogo tão especial como o clássico, a gente sabe que o torcedor vai esgotar o ingresso. Isso é uma das coisas que a gente já sabe, então, a gente nem fica comentando muito, porque a gente sabe que vai ser casa cheia. E o quão importante isso, né, principalmente jogar em casa, diante do nosso torcedor e agora a casa cheia, só com o torcedor do Vitória, então, a gente fica feliz. E agora a gente só espera que comece logo esse jogo para que a gente venha no final comemorar com o nosso torcedor.”
Do lado do Bahia, Alejo Véliz terá uma experiência diferente. Recém-chegado ao clube, o camisa 9 vai disputar seu primeiro Ba-Vi. O centroavante marcou seu primeiro gol pelo Tricolor no último jogo, no empate em 3 a 3 com a Chapecoense, e agora terá pela frente um dos confrontos de maior peso no calendário do futebol baiano.
Apesar de ainda não ter vivido a rivalidade entre Bahia e Vitória dentro de campo, Véliz conhece bem a intensidade que envolve um clássico. Natural de Rosário, o argentino cresceu em meio ao confronto entre Rosario Central e Newell’s Old Boys. Foram três clássicos disputados, com duas vitórias e um gol marcado.
A experiência fez o atacante entender que partidas desse tipo exigem uma postura diferente. Para ele, o momento das equipes pode ficar em segundo plano quando a bola começar a rolar.
“A verdade é que em Rosário, o clássico rosarino se vive muito forte. E, bom, graças a Deus, eu tive a possibilidade de ganhar dois dos três clássicos que joguei. Também tive a possibilidade de fazer um gol em um deles. É sair com a faca entre os dentes e deixar tudo e mais [em campo]. Ao que se refere a jogar, vou fazer da melhor maneira e sinto que vai ser uma partida muito especial, uma partida à parte, porque os clássicos são partidas à parte, não importa como uma equipe chega, nem como a outra chega. Assim, estou com a certeza de que o time vai dar o melhor de si para sair com a vitória.”
Véliz também já percebeu o tamanho da rivalidade desde que chegou ao futebol baiano. O centroavante afirmou que tem acompanhado o que se fala sobre o clássico e reconheceu a dificuldade de atuar diante do Vitória.
“Bom, a verdade é que sim, eu tenho escutado e visto sobre o clássico. Sabemos que vai ser uma partida difícil, em um campo difícil. Mas, bem, nós temos nossas armas. O time está muito bem emocionalmente. Assim, acredito que vamos dar o nosso melhor no jogo e trazer os três pontos para casa.”
O Bahia chega ao clássico depois de cinco empates consecutivos no Campeonato Brasileiro. A sequência fez o Tricolor completar um mês sem vencer na competição, mas não tirou uma marca importante da equipe, o Bahia é o único time da Série A que ainda não perdeu desde o retorno da pausa para a Copa do Mundo.
A equipe ocupa a sexta colocação e segue na briga pelas primeiras posições. Para Véliz, o momento não diminuiu a confiança do elenco, que vê no clássico uma oportunidade de voltar a vencer.
“A verdade é que sim, se está falando muito disso. No entanto, estou com meus companheiros e, a realidade, é que estamos muito tranquilos. Eles chegam, talvez ganhando, passando da fase na Copa. Mas nós, por mais que venhamos de cinco empates seguidos, estamos em sexto [na classificação], estamos acima deles [na tabela]. Assim, vai ser uma partida bonita, diferente, uma partida à parte, como eu disse recentemente, como são os clássicos. Mas tenho certeza de que, com a equipe, e a confiança que a equipe tem de dar o melhor, vamos trazer os três pontos para casa.”
O confronto ainda coloca frente a frente duas características importantes apresentadas pelos rivais ao longo do campeonato. O Vitória tem uma das melhores campanhas como mandante, enquanto o Bahia aparece entre os melhores visitantes da Série A. O Tricolor, inclusive, venceu o último Ba-Vi disputado no Barradão, pelo Campeonato Baiano, no início desta temporada.
No retrospecto dos dez Ba-Vis mais recentes pela Série A, a vantagem também é tricolor. São cinco vitórias do Bahia, quatro empates e apenas uma vitória do Vitória. Dos dez confrontos, quatro foram disputados no Barradão, com uma vitória para cada lado e dois empates.
Os números dão lugar à rivalidade quando a bola rola. Marinho terá a experiência de quem já conhece a intensidade do Ba-Vi e a missão de ajudar o Vitória a fazer valer o momento positivo em casa. Véliz, por sua vez, fará sua estreia no clássico, mas chega ao confronto carregando as lembranças de quem já viveu em Rosário a pressão e a emoção de uma grande rivalidade.
De um lado, a experiência e a força do Vitória em casa. Do outro, um Bahia que busca transformar a sequência de empates em uma vitória e um centroavante que terá seu primeiro contato com o Ba-Vi. No domingo, os dois estarão em lados opostos de um clássico que fecha a temporada de encontros entre os rivais em 2026.


