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Esquema de lavagem de dinheiro do PCC incluía toda a cadeia produtiva de combustíveis; entenda como funcionava

Dentre as ações criminosas estão fraude fiscal, blindagem de patrimônio e adulteração de combustíveis

Por Da Redação
Às

Esquema de lavagem de dinheiro do PCC incluía toda a cadeia produtiva de combustíveis; entenda como funcionava

Foto: Edilson Rodrigues/ Agência Senado/ Flickr

O caminho usado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavar dinheiro em esquema bilionário no setor de combustíveis incluía toda a cadeia produtiva. Segundo as investigações que resultaram na megaoperação Carbono Oculto, realizada na quinta-feira (28), adulteração de combustíveis, fraude fiscal, fraude contábil, blindagem de patrimônio, ocultação de recursos e sonegação de impostos eram algumas das ações criminosas.

O esquema tinha início desde as fazendas de cana-de-açúcar e usinas sacroalcooleiras. Neste caso, fazendeiros e donos de usinas eram coagidos e ameaçados para que vendessem suas propriedades para o PCC.

Toda ação continuava no processo de distribuição dos combustíveis e no transporte ilegal do metanol. Os suspeitos simulavam a aquisição de combustíveis para emitir notas fiscais e ocultar movimentação dos valores ilícitos, além de usar notas quentes para esconder o transporte do metanol.

A Copape (formuladora) e Aster (distribuidora) também atuavam em conjunto com a organização na fraude fiscal, fraude contábil e lavagem de dinheiro, na fase de fabricação e refino. Os preços dos insumos nas transições eram inflados como forma de sonegar impostos e obter créditos tributários indevidos.

O recebimento de dinheiro em espécie ou via maquininhas de cartão e a transição de recursos do crime para a organização criminosa por meio de suas contas bancárias ocorri nos postos de combustíveis. Havia ainda compras simuladas com cerca de 140 postos, sem qualquer movimentação no período, sendo destinatário de mais de R$ 2 bilhões em notas ficais de combustíveis.

Nos últimos quatro anos, houve uma movimentação de pelo menos R$ 52 bilhões nestes locais.

A sonegação de imposto também fazia parte do esquema, com a recolhimento menor que o valor real. Autoridades apontam que o esquema sonegou pelo menos R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais. Na esfera federal, a perda foi estimada em R$ 4 bilhões, dos quais cerca de R$ 1 bilhão já está inscrito em dívida ativa.

Para ocultar recursos e blindar o patrimônio, a organização utiliza as fintechs. Essas empresas que oferecem serviços bancários e financeiros digitais com operação através de plataformas onlines e aplicativos, além de estarem fora do sistema de risco do governo.

Funcionando como “bancos paralelos”, que permitiam a integração dos lucros ilegais o mercado de capitais, a organização chegou a movimentar cerca de R$ 46 bilhões em recursos não rastreáveis.

Já a blindagem de patrimônio ocorria por meio da aplicação de recursos em fundos de investimentos com várias camadas de ocultação. Foram identificadas pela receita ao menos 40 fundos com patrimônio de R$ 30 bilhões.

Entre os bens da organização estão um terminal portuário; quatro usinas de álcool (mais duas em parceria ou aquisição); 1.600 caminhões para transporte de combustíveis; mais de cem imóveis, incluindo seis fazendas no interior de SP (R$ 31 milhões) e uma casa em Trancoso (BA) no valor de R$ 13 milhões.

A lavagem ainda envolvia o armazenamento dos combustíveis, lojas de conveniências, padarias e setor portuário.

 

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