Fábrica da Chery pode ser desapropriada em SP
Desativada há quatro anos, Chery não apresenta plano de reativação e pode perder terreno

A Prefeitura de Jacareí (SP) anunciou que dará início ao processo administrativo para desapropriar a área onde está instalada a antiga fábrica da Caoa Chery. A decisão foi tomada após o término do prazo de 12 meses concedido à montadora para apresentar um plano considerado consistente para a retomada das atividades na unidade, que permanece sem produzir veículos desde 2022.
Segundo a administração municipal, a doação do terreno onde a fábrica foi construída previa como contrapartida a manutenção da atividade industrial e a geração de empregos. Com a paralisação da produção e a ausência de um cronograma de reativação, o município entende que houve descumprimento das condições estabelecidas para a cessão da área.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito Celso Florêncio afirmou que o prazo concedido à empresa chegou ao fim. “A doação do terreno estava condicionada a ter uma fábrica em funcionamento, com geração de empregos. Na nossa visão houve uma quebra de contrato.” O prefeito acrescentou que a Prefeitura irá levantar os investimentos realizados no local, calcular a valorização do terreno e pretende levar a área a leilão no início do próximo ano, caso o processo avance.
Apesar do anúncio, a desapropriação ainda depende de uma série de etapas administrativas e poderá ser discutida na Justiça antes que o imóvel passe efetivamente ao controle do município.
Fábrica produziu quatro modelos
A unidade de Jacareí foi inaugurada em 2014, quando a operação ainda pertencia à Chery antes da criação da joint venture com o Grupo Caoa, formalizada em 2018. A fábrica produziu modelos como QQ, Celer, Tiggo 2 e Arrizo 5, contando com capacidade instalada estimada em cerca de 50 mil veículos por ano e possibilidade de expansão.
A produção foi encerrada em 2022, quando a empresa concentrou sua operação industrial brasileira na fábrica de Anápolis (GO), responsável atualmente pelos veículos nacionais da Caoa Chery.
As conversas entre a Prefeitura e a empresa se intensificaram ao longo de 2025. Na ocasião, o município notificou a montadora sobre a possibilidade de reversão da doação do terreno ou de desapropriação da área caso não houvesse perspectiva concreta de reutilização da planta industrial. Encerrado o prazo concedido, a administração municipal afirma que não recebeu um plano objetivo para a retomada das operações.
Em documentos encaminhados à empresa, a Prefeitura sustenta que o imóvel deve cumprir sua função econômica e social, gerando empregos e movimentando a atividade industrial, objetivos que justificaram os incentivos concedidos para a instalação da fábrica.
Caoa Chery mantém produção em Goiás
Enquanto a situação da unidade paulista permanece indefinida, a Caoa Chery segue concentrando sua produção nacional em Anápolis, onde fabrica modelos como Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8.
A montadora também atravessa um momento de crescimento no mercado brasileiro. No primeiro semestre de 2026, a Caoa Chery somou 37.013 veículos emplacados, consolidando-se como a 10ª marca mais vendida do país, segundo dados da Fenabrave. O resultado mantém a fabricante à frente de marcas tradicionais como Nissan, Mitsubishi, Peugeot e Citroën e reforça sua posição entre as fabricantes que mais crescem impulsionadas pela oferta de SUVs eletrificados.
Paralelamente, a Chery International passou a atuar de forma independente no Brasil com as marcas Omoda & Jaecoo e Jetour, ampliando sua presença no mercado nacional por meio de operações separadas da joint venture com o Grupo Caoa.
Nos últimos meses, surgiram especulações de que outras fabricantes estariam avaliando a planta de Jacareí para futuros projetos industriais. Até o momento, porém, nenhuma negociação foi oficialmente confirmada.
A Caoa Chery ainda não se manifestou sobre o anúncio da Prefeitura de Jacareí. Caso a empresa apresente um posicionamento oficial, o Farol da Bahia atualizará esta reportagem.


