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Fabricante chinesa Sany vai produzir caminhões em antiga fábrica da Mercedes

Fabricante quer assumir controle da unidade e produzir caminhões até o final do ano

Por Marcos Camargo Jr.
Às

Fabricante chinesa Sany vai produzir caminhões em antiga fábrica da Mercedes

A fabricante chinesa Sany iniciará uma nova etapa de sua operação brasileira ao ocupar a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Campinas (SP), encerrando um período de transição iniciado após o fim da produção de ônibus na unidade, em 2023. A expectativa é que as atividades comecem em novembro, segundo informações divulgadas pelo portal AutoData.

O complexo carrega uma importância histórica para a indústria nacional. Durante décadas, a instalação foi responsável pela produção dos tradicionais ônibus monobloco da Mercedes-Benz, modelos que ajudaram a moldar o transporte coletivo e rodoviário brasileiro. Séries como O-370, O-371 e posteriormente a família O-400 tornaram-se referências em conforto, durabilidade e tecnologia em diferentes regiões do país.

Ao longo de sua trajetória, a planta campineira chegou a reunir milhares de funcionários e consolidou a cidade como um dos principais centros da indústria de veículos pesados do Brasil. Com o encerramento da operação da Mercedes no segmento de ônibus, abriu-se espaço para uma nova ocupação industrial que agora será liderada por um grupo chinês em plena expansão global.

Os primeiros produtos da Sany serão montados pelo sistema CKD, no qual caminhões e equipamentos chegam desmontados da China para a finalização no Brasil. A estratégia inclui tanto veículos comerciais quanto máquinas da chamada linha amarela, utilizadas em obras de infraestrutura, mineração e construção civil. A empresa também pretende ampliar gradualmente o conteúdo nacional dos modelos para atender às exigências de programas de financiamento como o Finame.

Embora seja reconhecida mundialmente pelos investimentos em eletrificação, a Sany deverá atuar no mercado brasileiro com uma gama diversificada de produtos. Além dos caminhões elétricos, estão previstos modelos movidos a diesel e versões destinadas a diferentes aplicações profissionais, seguindo uma estratégia semelhante à adotada em outros países emergentes.

A chegada da companhia reforça uma tendência observada nos últimos anos no setor automotivo nacional: a reutilização de antigas estruturas industriais por fabricantes chinesas. O exemplo mais conhecido é a antiga unidade da Mercedes-Benz em Iracemápolis, atualmente utilizada pela GWM para a produção de veículos eletrificados.

No caso de Campinas, a ocupação da fábrica permite acelerar a entrada da Sany no segmento brasileiro de caminhões pesados, reduzindo custos de implantação e aproveitando uma cadeia de fornecedores já estabelecida na região. Ao mesmo tempo, preserva a atividade industrial em um dos endereços mais tradicionais da história automotiva do país, que passa a escrever um novo capítulo sob o comando de uma fabricante chinesa.

 

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