Família processa clínica de Irecê investigada por danos à visão de pacientes após idoso morrer
Gilberto Pereira Pontes, de 72 anos, morreu no dia 31 de março após perder a visão dos dois olhos devido a complicações de um procedimento médico oftalmológico.

Foto: Reprodução.
A família de Gilberto Pereira Pontes, de 72 anos, paciente que morreu no dia 31 de março após perder a visão dos dois olhos devido a complicações de um procedimento médico oftalmológico, resolveu processar a clínica. Ele foi um dos 24 pacientes que apresentaram danos à visão depois de um mutirão realizado entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março no Hospital Ceom, localizado em Irecê, na Bahia.
Segundo informações do advogado da família ao G1, a ação foi formalizada com clínica, a Sesab, e a Vigilância Sanitária compondo o polo passivo, por todas terem responsabilidade no caso. Além disso, o Ministério Público foi acionado.
De acordo ainda com a defesa e membros da família do idoso, Gilberto passou os últimos dias de sua vida sofrendo. Ele chegou a receber aplicação intraocular de antibióticos em um dos olhos sem anestesia, como forma de conter a uma infecção grave, mas recusou seguir com o tratamento por não ter conseguido suportar a dor do procedimento.
Em nota divulgada após a Polícia Civil apreender, na última segunda-feira (6), prontuários médicos e diversos documentos, o Hospital Ceom afirmou que a morte do idoso ocorreu em outra instituição e sem comprovação de relação com procedimento realizado na clínica.
A instituição ainda pontuou que está “à inteira disposição das autoridades” e que “segue prestando assistência aos pacientes e familiares”.
Leia a nota da Ceom na íntegra :
"O CEOM informa que, na manhã desta segunda-feira, foi cumprido mandado de busca e apreensão em suas dependências, no contexto das apurações em curso. As autoridades foram devidamente recebidas pela instituição, tendo a operação transcorrido de forma respeitosa, colaborativa e em diálogo constante, com especial atenção à natureza sensível dos documentos médicos. Durante a diligência, foi reiterada a importância da preservação do sigilo e do adequado tratamento das informações de saúde dos pacientes. Em respeito ao sigilo legal que envolve procedimentos dessa natureza, bem como às normas éticas aplicáveis, a instituição não pode detalhar o conteúdo da diligência neste momento.
O CEOM reafirma que permanece à inteira disposição das autoridades competentes, colaborando de forma transparente com todos os esclarecimentos necessários, confiante de que a apuração permitirá a adequada compreensão dos fatos. A instituição também reforça que segue prestando toda a assistência aos pacientes e familiares, com acompanhamento contínuo dos casos, além de já ter iniciado a disponibilização de cópias de prontuários a todos os solicitantes, nos termos da Lei nº 13.787/2018 e das normas vigentes do Conselho Federal de Medicina.
No que se refere ao óbito recentemente noticiado, o CEOM esclarece que este ocorreu em outra instituição de saúde e que, até o momento, não teve acesso à respectiva Declaração de Óbito, documento que se encontra sob responsabilidade dos familiares, sendo indispensável para qualquer análise técnica mais aprofundada do caso.
O CEOM reitera seu compromisso com a ética, a segurança assistencial e o respeito aos pacientes".
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