Farol da Bahia testa a Bajaj Pulsar N150
Moto de 150cc é econômica e não abre mão do conforto

Com 3,1 mil unidades vendidas em agosto de 2026 a Bajaj com acumulado de 24 mil só em 2026. Assim a Bajaj vai ampliando seu espaço no mercado de duas rodas nacional e lançou há um ano seu produto mais popular.
A Bajaj Pulsar N150 é atualmente a motocicleta mais acessível da fabricante indiana no Brasil. Produzida em Manaus (AM), ela disputa um segmento dominado pela Honda CG 160 e que também reúne concorrentes como Yamaha FZ15, Haojue DK 160 e Dafra Apache RTR 200. Seu principal argumento está na combinação entre preço, equipamentos e aparência de moto maior.
Na linha 2026/2027, a Pulsar N150 tem preço sugerido de R$ 16.500. Durante a campanha de setembro, o valor inclui documentação, IPVA, emplacamento e serviço de despachante, de acordo com as regras de cada estado e a disponibilidade das concessionárias. A Bajaj também oferece garantia de três anos.
O R7-Autos Carros avaliou a Pulsar N150 no uso urbano para descobrir se o bom pacote apresentado na ficha técnica também se confirma no dia a dia.
Visual chama a atenção
O desenho é um dos principais diferenciais da Pulsar N150. O tanque largo, as extensões laterais e o conjunto óptico dianteiro de LED criam uma aparência mais encorpada do que a cilindrada sugere. Na traseira, o banco bipartido e as alças integradas reforçam sua proposta esportiva.
O acabamento combina peças pintadas, superfícies em preto e grafismos discretos. As rodas de liga leve de 17 polegadas utilizam pneus sem câmara nas medidas 90/90 na dianteira e 120/80 na traseira. A moto está disponível nas cores preta, branca e vermelha.
Existem, porém, detalhes que merecem atenção. Na unidade avaliada, havia sinais de desgaste na borracha do acionamento da embreagem. Os retrovisores também apresentam qualidade apenas razoável e distorcem a imagem nas extremidades. São pontos perceptíveis, mas compreensíveis diante da proposta de preço competitivo.
Como é pilotar a Pulsar N150?
A Pulsar N150 mostrou-se agradável no uso diário. O conjunto ciclístico tem bom acerto, os bancos são confortáveis e os comandos exigem pouco esforço. A embreagem tem acionamento leve e as marchas entram sem dificuldade.
A evolução de velocidade é gradual, como se espera de uma motocicleta de 150 cm³. O motor trabalha bem no trânsito e as relações iniciais do câmbio permitem acompanhar o fluxo sem exigir reduções constantes. Uma sexta marcha poderia diminuir a rotação em trechos rodoviários, mas praticamente todas as motos dessa faixa utilizam transmissão de cinco velocidades.
O freio dianteiro transmite segurança e conta com ABS, mas o tambor traseiro poderia oferecer respostas mais fortes e progressivas. A diferença entre os dois sistemas fica evidente em frenagens mais intensas.
No conjunto, a Pulsar entrega uma condução leve e previsível. É uma moto fácil de controlar em baixa velocidade, agradável entre os carros e suficientemente confortável para deslocamentos mais longos dentro da cidade.
Posição de pilotagem é confortável
A N150 mede 1.998 mm de comprimento, 764 mm de largura e tem 1.352 mm de distância entre eixos. Seu peso em ordem de marcha é de 145 kg, número superior ao de algumas concorrentes mais simples, embora essa diferença não seja percebida com intensidade durante as manobras.
O guidão relativamente elevado e as pedaleiras levemente recuadas criam uma posição intermediária entre uma motocicleta utilitária e uma naked esportiva. Apesar da aparência agressiva, o piloto permanece com o tronco quase ereto, sem excesso de peso sobre os braços.
A ergonomia é adequada para o uso diário. A altura e o formato do banco facilitam o controle da motocicleta, enquanto o bom ângulo de esterço ajuda nos corredores e em manobras apertadas. O tanque de 14 litros também é um ponto positivo para quem percorre longas distâncias todos os dias.
Motor entrega 14 cv
A Pulsar N150 utiliza motor monocilíndrico de 149,68 cm³, com quatro válvulas, injeção eletrônica e refrigeração a óleo. O conjunto desenvolve 14 cv a 8.500 rpm e 1,38 kgfm de torque a 6.000 rpm. O câmbio é manual de cinco marchas e há partida elétrica e por pedal.
O motor prioriza as rotações intermediárias e apresenta respostas progressivas. Saídas, retomadas e escalonamento do câmbio são adequados à proposta urbana. As vibrações aparecem conforme o giro aumenta, mas não comprometem o conforto no uso cotidiano.
Não é uma motocicleta feita para entregar acelerações fortes ou manter velocidades elevadas por muito tempo. Sua proposta é oferecer agilidade no trânsito, consumo baixo e desempenho suficiente para os deslocamentos diários. Dentro desse objetivo, o conjunto cumpre bem o seu papel.
Suspensão tem monochoque traseiro
Na dianteira, a Pulsar N150 utiliza garfo telescópico convencional de 31 mm. Atrás, a Bajaj escolheu uma suspensão monochoque, solução normalmente associada a motocicletas com proposta mais esportiva e visualmente mais sofisticada que os dois amortecedores empregados em muitas utilitárias.
A distância livre do solo é de 165 mm, suficiente para enfrentar lombadas, valetas e irregularidades comuns das cidades brasileiras. Durante o teste, o conjunto apresentou uma calibração equilibrada, absorvendo os impactos sem deixar a moto excessivamente macia.
A estabilidade também é satisfatória para a categoria. As rodas de 17 polegadas, os pneus relativamente largos e o chassi perimetral ajudam a transmitir segurança nas curvas e em mudanças rápidas de direção.
ABS apenas na roda dianteira
O sistema de frenagem utiliza disco dianteiro de 260 mm com ABS. Na traseira, há um tambor de 130 mm sem assistência antitravamento. A presença do ABS dianteiro é uma vantagem importante diante de versões básicas de algumas concorrentes.
O sistema evita o travamento da roda dianteira em frenagens de emergência, mas não equivale a um conjunto com ABS de dois canais. O freio traseiro cumpre sua função como apoio, embora pudesse ter maior eficiência e sensibilidade no pedal.
Painel conectado é destaque
O painel totalmente digital está entre os melhores equipamentos da Pulsar N150. A tela exibe indicador de marcha, conta-giros, velocímetro, nível de combustível, consumo e hodômetros total e parcial. As informações são fáceis de visualizar e os comandos têm funcionamento simples.
O sistema oferece conexão Bluetooth pelo aplicativo Bajaj Ride Connect, permitindo exibir alertas de chamadas e outras informações. Há ainda uma entrada USB-A para recarregar o celular, recurso especialmente útil para quem trabalha com entregas ou utiliza aplicativos de navegação.
Outro destaque é o farol de LED. Além de valorizar o visual da moto, ele apresenta boa linha de corte e iluminação eficiente durante a noite. São equipamentos que não estão presentes em todas as concorrentes, mesmo em modelos que custam mais.
Consumo urbano chega a 42 km/l
Durante nossa avaliação, a Pulsar N150 registrou média de 42 km/l no uso urbano. É um bom resultado para uma motocicleta com motor de 14 cv e peso de 145 kg.
Considerando o tanque de 14 litros, a média obtida indicaria uma autonomia teórica próxima de 590 km. Na prática, é necessário conservar uma margem de segurança e considerar as variações provocadas pelo trânsito, peso transportado e estilo de pilotagem.
Vale a pena comprar a Pulsar N150?
A Bajaj Pulsar N150 é indicada para quem procura uma motocicleta urbana econômica, equipada e com aparência esportiva, mas ainda não pretende avançar para modelos de 200 ou 250 cm³. Por R$ 16.500, oferece farol de LED, painel conectado, entrada USB, suspensão traseira monochoque, pneus sem câmara e ABS dianteiro.
A Honda CG 160 continua levando vantagem pela rede de concessionárias, disponibilidade de peças e liquidez no mercado de usados. A Yamaha FZ15 também conta com uma estrutura de pós-venda mais consolidada e oferece ABS dianteiro. A Pulsar responde com preço competitivo, tanque de 14 litros, conectividade e garantia de três anos.
Antes da compra, é importante verificar a presença de uma concessionária Bajaj na região e conhecer o plano de revisões. Superada essa questão, a Pulsar N150 apresenta uma das relações entre preço e equipamentos mais interessantes da categoria. Os detalhes de acabamento podem melhorar e o freio traseiro poderia ser mais eficiente, mas o conjunto é confortável, econômico e bem resolvido para a rotina urbana.


