Farol da Bahia testa o Jeep Commander Blackhawk 2.0 turboflex

SUV de 7 lugares tem desempenho como destaque e é vendido com descontos

Por Marcos Camargo Jr.
Às

Farol da Bahia testa o Jeep Commander Blackhawk 2.0 turboflex

Lançado em 2021, o Jeep Commander nasceu como o maior e mais sofisticado modelo produzido pela marca no Brasil. Desenvolvido para ocupar o espaço acima do Compass, o SUV nacional apostou desde o início em sete lugares, acabamento mais refinado e opções de motores flex e turbodiesel. O Farol da Bahia testou o SUV veterano que ganhou o motor 2.0 turbo flex de 272cv.

A estratégia funcionou. O Commander ultrapassou 50 mil unidades vendidas ainda em 2024 e consolidou-se como líder entre os SUVs de sete lugares no país. Em 2026, mesmo diante do crescimento de modelos chineses e da tradicional concorrência do Toyota SW4, o Jeep continuou na dianteira entre os SUVs grandes em diferentes levantamentos mensais de Vendas.
 

Agora, na linha 2027, o modelo produzido em Goiana (PE) tenta preservar essa posição com uma gama renovada. Enquanto algumas versões equipadas com o motor T270 receberam sistema híbrido leve, o Blackhawk manteve o Hurricane 2.0 turbo de 272 cv e ganhou uma mudança importante: passou a aceitar gasolina e etanol.

A conversão para flex não é a única novidade. O Commander Blackhawk 2027 tem preço sugerido de R$ 329.990, valor R$ 6,5 mil inferior ao cobrado anteriormente pela configuração movida exclusivamente a gasolina. Entretanto, a diferença é muito maior nas lojas. Durante nossa pesquisa, encontramos unidades da linha 2027 anunciadas por R$ 265.900, desconto superior a R$ 64 mil.

Hurricane flex preserva os 272 cv

O motor Hurricane é um quatro-cilindros 2.0 turbo de 1.995 cm³, equipado com injeção direta. Mesmo depois da adaptação ao etanol, os números não mudaram: são 272 cv e 400 Nm, equivalentes a 40,8 kgfm, com qualquer um dos combustíveis.

O câmbio automático tem nove marchas e trabalha com o sistema de tração integral Jeep Active Drive Low. O conjunto inclui seletor de terrenos e controle eletrônico de descida, recursos que ampliam a capacidade do Commander em pisos de baixa aderência.

O resultado impressiona para um SUV de sete lugares. Segundo a Jeep, o Blackhawk acelera de zero a 100 km/h em 7 segundos e atinge 220 km/h. É uma resposta muito superior à das versões T270 de 176 cv e que aproxima o comportamento do Commander ao de modelos com proposta esportiva.

A versão também oferece as Performance Pages na central multimídia. A ferramenta permite acompanhar dados como pressão do turbo, potência, torque e forças G. Pode não ser indispensável em um carro familiar, mas combina com a personalidade mais agressiva do Blackhawk.

Desempenho é seu maior diferencial

Na cidade, o Commander disfarça bem seus 4,76 metros. A direção não é excessivamente pesada e a suspensão controla os movimentos da carroceria sem comprometer o conforto. O acerto brasileiro continua sendo uma de suas maiores vantagens diante de alguns concorrentes importados.

Na estrada, a diferença proporcionada pelo Hurricane aparece com mais clareza. Há torque abundante para retomadas e ultrapassagens, enquanto o câmbio de nove marchas trabalha para manter o motor cheio. Mesmo carregado, o Commander dificilmente transmite a sensação de falta de força.

O comportamento dinâmico é mais preciso do que suas dimensões sugerem. A direção responde bem, a carroceria inclina de maneira controlada e a tração integral ajuda a colocar a potência no chão. O funcionamento dos assistentes de condução, porém, continua bastante presente e pode incomodar motoristas que preferem intervenções mais discretas.

Consumo cobra a conta dos 272 cv

O desempenho tem impacto direto no consumo. Com gasolina, o Commander Blackhawk registra oficialmente 8,2 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada. Abastecido com etanol, entrega 5,7 km/l no ciclo urbano e 7,4 km/l no rodoviário.

Em nosso percurso misto, combinando cidade e estrada, o computador apontou 8,9 km/l com gasolina. O resultado mostra uma pequena piora diante da antiga calibração dedicada ao combustível fóssil, mas está dentro do esperado para um SUV grande, pesado, com tração 4x4 e 272 cv.

A vantagem é que a potência e o torque permanecem iguais com etanol. O proprietário não perde desempenho ao optar pelo combustível vegetal e ainda ganha liberdade para escolher de acordo com os preços praticados em sua região.

Sete lugares e porta-malas aproveitável

A linha 2027 preserva as dimensões do Commander: são 4,76 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,68 m de altura e 2,79 m de distância entre os eixos.

Com todos os assentos levantados, o porta-malas comporta 233 litros. Ao recolher a terceira fileira, o volume sobe para 661 litros, o que transforma o Commander em um carro bastante funcional para viagens familiares.

O acesso aos últimos bancos é relativamente simples, e o aproveitamento interno está entre os pontos fortes do projeto. Como ocorre na maioria dos SUVs dessa categoria, a terceira fileira acomoda melhor crianças e adultos em percursos curtos, mas não funciona apenas como um recurso de emergência.

Acabamento ainda é um trunfo

O Blackhawk se diferencia pelas rodas de liga leve de 19 polegadas, pelos detalhes externos escurecidos e pelo para-choque traseiro exclusivo com saídas de escapamento aparentes.

No interior, a combinação de couro, suede, revestimentos macios e peças que imitam metal cria uma percepção de qualidade superior à de muitos concorrentes. O bom isolamento acústico e o sistema de som Harman Kardon também ajudam a justificar o posicionamento mais sofisticado.

A lista de equipamentos inclui teto solar panorâmico, bancos dianteiros com ajustes elétricos, memória para o motorista, quadro de instrumentos digital, central Uconnect de 10,1 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay sem fio, carregador por indução, câmera de 360 graus, ar-condicionado e sete airbags.

O pacote de segurança reúne controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência, monitoramento de faixa e outros assistentes eletrônicos.

Ainda existem pontos que poderiam ser melhores em uma versão topo de linha. Os faróis de LED poderiam utilizar projetores mais sofisticados, as câmeras mereciam resolução superior e falta a visualização do “chassi transparente”, já disponível em vários SUVs chineses. A iluminação interna também poderia empregar LED em todos os pontos.

Concorrentes chineses custam menos

A liderança do Commander passou a ser pressionada principalmente pelas marcas chinesas. O rival mais direto é o Caoa Chery Tiggo 8 Pro, também fabricado no Brasil e equipado com sete lugares. A configuração 2026/2027 a combustão parte atualmente de R$ 196.990, valor bem inferior ao preço promocional do Blackhawk. O Tiggo entrega motor 1.6 turbo de 187 cv, câmbio automatizado de sete marchas e tração dianteira. 

Outra opção é o Tiggo 8 Pro PHEV, híbrido plug-in de 279 cv, encontrado na faixa de R$ 230 mil a R$ 250 mil. Ele oferece mais tecnologia de eletrificação e possibilidade de rodar parte do cotidiano sem gasolina, mas não tem a proposta 4x4 nem o mesmo acerto esportivo do Commander.

No extremo mais aventureiro aparece o GWM Haval H9, também com sete lugares, construção sobre chassi, motor 2.4 turbodiesel e tração 4x4 com reduzida. Seu preço de R$ 339 mil supera a tabela do Blackhawk, mas fica relativamente próximo dentro do universo dos SUVs grandes. A própria GWM também oferece o H9 Selection por R$ 339 mil. 

Esses chineses costumam oferecer telas maiores, câmeras melhores e uma lista mais extensa de recursos eletrônicos. O Jeep responde com desempenho, acerto de suspensão e direção, produção nacional, rede de concessionárias mais ampla e uma trajetória comercial já consolidada.

Vale os R$ 329.990?

Pelo preço de tabela, o Commander Blackhawk entra em uma disputa complicada. Por R$ 329.990, passa a concorrer não apenas com SUVs convencionais, mas também com modelos chineses híbridos, mais modernos e muito equipados.

A avaliação muda quando entra em cena o valor de R$ 265.900 encontrado na rede. Com desconto superior a R$ 64 mil, o Blackhawk fica próximo de chineses eletrificados e passa a entregar uma combinação difícil de repetir: sete lugares, 272 cv, tração integral, câmbio de nove marchas e motor flex.

O Commander já não está sozinho como quando chegou em 2021. Tiggo 8 e Haval H9 ampliaram a oferta de SUVs chineses de sete lugares, enquanto outros modelos asiáticos avançam sobre a categoria. Ainda assim, o Jeep continua reunindo atributos que explicam sua liderança.

O Blackhawk não é o Commander mais econômico nem o mais racional. É a versão para quem precisa de espaço familiar, mas não quer abrir mão de desempenho. Pelo preço cheio, exige ponderação. Por R$ 265.900, transforma-se em uma das compras mais interessantes entre os SUVs grandes de sete lugares.

 

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