FBF e Vitória aderem a manifesto nacional em defesa do mercado regulado de apostas
Entidades e clubes argumentam que uma redução abrupta das receitas do setor pode afetar o futebol brasileiro; Bahia ainda não se manifestou.

Foto: Divulgação
A Federação Bahiana de Futebol (FBF) entrou na mobilização nacional de clubes e entidades esportivas que defendem a manutenção do mercado regulamentado de apostas no Brasil. O posicionamento foi divulgado nas redes sociais da entidade na noite de quinta-feira (17), em meio às discussões do Governo Federal sobre possíveis mudanças nas regras do setor.
Na Bahia, o movimento também ganhou a adesão do Vitória. O Rubro-Negro publicou o manifesto em seu site oficial e passou a integrar a lista de clubes que se posicionaram sobre o tema. O Feira FC também divulgou o documento. Já o Bahia não havia publicado, até a manhã desta sexta-feira (18), um posicionamento semelhante em seus canais oficiais. A ausência de manifestação não permite concluir qual é a posição do Tricolor sobre a discussão.
O documento compartilhado pela FBF tem como título "O fim do futebol brasileiro" e reúne argumentos de clubes e federações contrários a uma eventual redução significativa do mercado legalizado. As entidades reconhecem os problemas sociais provocados pela expansão das apostas, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade, mas defendem que o setor seja combatido e aperfeiçoado por meio de fiscalização, prevenção e mecanismos de proteção ao consumidor.
Um dos principais argumentos apresentados no manifesto é o impacto financeiro das empresas autorizadas a operar no país. De acordo com as entidades, o mercado de apostas passou a representar uma fonte relevante de receitas para o futebol brasileiro, com investimentos que não ficam concentrados apenas nos clubes de maior torcida e exposição.
A avaliação apresentada no documento é de que uma diminuição abrupta desses recursos poderia atingir diferentes áreas dos clubes, incluindo estruturas administrativas, centros de treinamento, categorias de base, futebol feminino e projetos sociais. As entidades também defendem o direcionamento das ações de combate às plataformas clandestinas, com maior fiscalização sobre empresas que atuam fora das regras estabelecidas.
Vitória e Feira FC aderem ao movimento
O Vitória passou a fazer parte da mobilização nacional ao publicar o mesmo manifesto utilizado por outras equipes brasileiras. O clube mantém uma relação comercial com o setor de apostas, tendo a 7K como patrocinadora master.
O Feira FC também aderiu publicamente ao movimento. A ligação do clube com o segmento é ainda mais direta a Superbet ocupa o espaço de patrocinadora master da equipe e também adquiriu os naming rights do estádio Professor Jodilton Souza, que passou a ser chamado de Superbet Arena.
Já o Bahia ainda não havia divulgado conteúdo semelhante até a manhã de sexta-feira (18). Como o clube não publicou manifestação oficial sobre o assunto nos canais consultados, não há indicação pública, até o momento, de que tenha aderido ou rejeitado o movimento.
Mudanças no mercado de apostas
A mobilização dos clubes ocorre enquanto o Governo Federal analisa alterações nas regras das apostas on-line. Entre as possibilidades discutidas está uma Medida Provisória que pode retirar os jogos de cassino on-line do mercado de apostas de quota fixa regulamentado pela Lei nº 14.790/2023.
A eventual mudança não significaria, necessariamente, o fim das apostas esportivas. O debate envolve principalmente o modelo de funcionamento e a permanência dos jogos on-line dentro do mercado atualmente regulamentado.
A discussão ganhou força diante dos impactos sociais e econômicos associados ao crescimento das apostas no país. Ao mesmo tempo, clubes e federações argumentam que o mercado legalizado trouxe novas receitas para o futebol e defendem que eventuais problemas sejam enfrentados com maior controle sobre as plataformas irregulares.
A mobilização começou com clubes e federações de São Paulo e posteriormente se espalhou para outras regiões. Palmeiras, Santos, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo e Cruzeiro estão entre os clubes que também divulgaram o manifesto.
No documento, as entidades afirmam que estão abertas ao diálogo com os poderes públicos para discutir medidas de educação, conscientização e proteção dos consumidores, mas defendem a continuidade do mercado regulamentado e o combate às empresas que operam de forma clandestina.


