GM prepara elétricos compactos para o Brasil

Compactos elétricos da SAIC estão na mira dos executivos da GM

Por Marcos Camargo Jr.
Às

GM prepara elétricos compactos para o Brasil

A General Motors confirmou oficialmente que avalia lançar um novo hatch compacto elétrico da Chevrolet na América do Sul. A fabricante também colocou a produção brasileira entre as possibilidades estudadas para o projeto. O anúncio foi feito por Thomas Owsianski, presidente e diretor-geral da GM América do Sul, após a assinatura de um protocolo de intenções com a chinesa SGMW.

O acordo já existe uma vez que a Chevrolet vende aqui o Spark EUV (Baojun Yep Plus) e Captiva EV (Wuling Starlight) com o “rebadge” da Chevrolet e o crescimento da eletrificação tem chamado a atenção dos executivos da GM. 

O acordo agora fica mais envolvente e envolve a SAIC-GM-Wuling, joint venture formada pela SAIC Motor, General Motors e Guangxi Automobile Group. A parceria já desenvolve diversos veículos elétricos vendidos na China e serviu de origem para dois produtos oferecidos pela Chevrolet no Brasil. 

“Entre os projetos em avaliação está um hatch compacto inédito da Chevrolet, que pode ampliar nossa linha de veículos elétricos na América do Sul. A produção no Brasil também está entre as possibilidades em análise”, afirmou Owsianski no Linkedin.

A declaração confirma a existência do projeto, mas ainda não representa a aprovação definitiva do veículo. A GM não divulgou o nome, a plataforma, as especificações ou o prazo de lançamento. Também não confirmou qual fábrica poderia receber o novo modelo. Portanto, informações sobre início de produção em 2027 ou a adoção dos nomes Celta e Joy ainda devem ser tratadas como especulação.

Wuling Bingo Pro é o principal candidato

O produto mais cotado para dar origem ao novo Chevrolet é o Wuling Bingo Pro, lançado recentemente no mercado chinês. O hatch mede 4,05 metros de comprimento, 1,75 metro de largura, 1,58 metro de altura e tem 2,56 metros de distância entre-eixos. Com essas dimensões, ele é 27 centímetros maior que o BYD Dolphin Mini e fica próximo do Geely EX2.

Na China, o Bingo Pro utiliza um motor elétrico dianteiro de 65 kW, equivalentes a aproximadamente 88 cv. A versão de entrada tem bateria de 31,9 kWh e autonomia declarada de 330 km, enquanto a configuração superior recebe um conjunto de 37,9 kWh e pode percorrer até 403 km. Os números seguem o ciclo chinês CLTC e seriam menores em uma eventual homologação pelo Inmetro.

Caso seja escolhido, o modelo precisará passar por alterações visuais, de equipamentos e de calibração antes de receber a identidade da Chevrolet. A própria marca, entretanto, não associou o anúncio ao Bingo Pro. O comunicado cita apenas um hatch compacto inédito desenvolvido a partir da colaboração com a SGMW.

Produção pode ficar no Ceará

A possibilidade mais evidente para a montagem nacional é o Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte. A unidade já monta o Chevrolet Spark EUV e o Captiva EV a partir de conjuntos importados da China. A GM também confirmou a produção do Captiva PHEV no país, ampliando a utilização da fábrica para veículos eletrificados de origem chinesa.

O novo hatch ocuparia uma faixa abaixo do Spark EUV, hoje tabelado em R$ 169.990, mas frequentemente oferecido por cerca de R$ 139 mil. Para enfrentar diretamente Dolphin Mini e EX2, o futuro Chevrolet precisaria se aproximar da faixa de R$ 120 mil, segmento no qual os dois modelos chineses concentram volumes expressivos.

Somente em julho, o BYD Dolphin Mini registrou 7.265 unidades, enquanto o Geely EX2 chegou a 5.898 emplacamentos. Os resultados colocaram os dois elétricos entre os dez automóveis mais vendidos do Brasil e ajudam a explicar o interesse da GM em desenvolver um produto mais acessível.

O protocolo assinado na China é, portanto, o primeiro passo oficial de um projeto que ainda passará por análises comerciais e industriais. A GM confirmou o estudo do hatch e admitiu sua possível produção brasileira, mas ainda não assegurou o lançamento. Se aprovado, o modelo poderá ser a resposta mais direta da Chevrolet ao avanço das marcas chinesas no segmento de elétricos de entrada. E pelo visto a GM tem pressa de responder essa demanda.

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